Após um ano de 2025 turbulento para ações da WEG (WEGE3), marcadas por um período prolongado de fraca performance diante de questionamentos sobre o ritmo de crescimento, riscos tarifários e a força do real em determinados momentos do ano, analistas reiteram otimismo com o papel neste ano.
A XP Investimentos, por exemplo, continua vendo a WEG bem posicionada para se beneficiar do crescimento do mercado de sistemas de armazenamento por baterias (BESS), à medida que o Brasil se aproxima de seu primeiro leilão de baterias em grande escala, agora programado para abril de 2026 sob o programa do Leilão de Reserva de Capacidade.
O time de análise da XP destaca que o armazenamento continua ganhando força globalmente como um dos principais facilitadores da transição energética, mitigando a volatilidade da rede causada pelo aumento da participação de renováveis intermitentes, como solar e eólica.
No Brasil, o curtailment (corte de energia, com redução involuntária da potência do gerador elétrico, realizada para manter a estabilidade da rede) continua sendo um desafio estrutural, e integrar sistemas de armazenamento pode ajudar a capturar o excesso de geração renovável durante os horários de menor movimento e liberá-la quando a demanda disparar, melhorando a eficiência e a confiabilidade do sistema.
Desenvolvimentos regulatórios recentes
O Ministério das Minas e Energia (MME) confirmou os requisitos técnicos dos leilões no final de 2025, estabelecendo requisitos mínimos de 30 MW (megawatt) por sistema, descarga diária de quatro horas e contratos de dez anos a partir de 2028. Incentivos baseados na localização favorecerão regiões estratégicas como o Nordeste e o norte de Minas Gerais. Enquanto isso, a queda nos preços das baterias de íon-lítio (agora abaixo de US$ 100 a kWh) reforça o argumento econômico a favor do armazenamento em comparação com alternativas térmicas.
Embora a concorrência com pares locais e externos continue sendo um risco importante a ser monitorado (especialmente com o MME buscando ativamente investimentos de players chineses para o leilão que se aproxima), a XP acredita que o relacionamento de longa data da WEG com as concessionárias, o track-record operacional e o suporte pós-venda apresentam vantagens competitivas.
O que esperar para 2026?
O BTG Pactual acredita que 2026 deverá ser um ano não linear para a WEG, especialmente no que diz respeito à percepção de crescimento. No início do ano, a companhia deve ser impactada negativamente por bases de comparação mais difíceis, menor crescimento no Brasil e efeitos de tarifas, resultando em um ritmo de crescimento fraco em termos anuais.
Já na segunda metade do ano, com a entrada de nova capacidade em transmissão e
distribuição (T&D), o BTG espera uma aceleração do crescimento. Em termos de margens, a WEG deve apresentar mais um ano de resiliência, sustentada por um mix mais favorável (maior participação de produtos de ciclo longo) e pela melhora da rentabilidade das operações internacionais.
Ação da WEG pode voltar a ficar em evidência
Após a forte alta no final do ano passado, analistas reconhecem que o valuation já não é mais atrativo nos níveis atuais, com a ação negociando em múltiplos de P/L (Preço sobre Lucro) elevados. Ainda assim, eles destacam alguns fatores que podem voltar a colocar o papel em evidência neste.
“Entre eles, ressaltamos dois principais: (1) um cenário político persistentemente mais arriscado no Brasil, que pode estimular um movimento de ‘flight to quality’ nas ações brasileiras (no qual a WEG tende a se beneficiar); e (2) o fortalecimento da narrativa de investimentos em infraestrutura energética nos Estados Unidos, que também favorece a percepção dos investidores em relação ao papel.”
3 catalisadores para monitorar
Primeiramente, o BTG cita o ritmo de crescimento da companhia, uma vez que o crescimento continua sendo o principal catalisador do desempenho das ações da WEG, especialmente dado o valuation elevado. “Diante da fraqueza do mercado doméstico, esperamos que o ritmo de crescimento seja fortemente influenciado pelos mercados externos”, comenta o banco.
Em segundo lugar, analistas mencionam a rentabilidade. As margens da WEG têm se mostrado surpreendentemente resilientes, mas, considerando alguns ventos contrários de curto prazo (principalmente impactos de tarifas nos EUA), eles
acreditam que o mercado espera alguma acomodação.
Caso as margens se mostrem ainda mais resilientes do que o esperado, o BTG vê espaço para reação positiva das ações.
Por fim, o BTG cita que historicamente, aquisições destravaram crescimento para a WEG em períodos de menor dinamismo orgânico, cerca de um terço do crescimento
histórico da companhia vem de fusões e aquisições (M&A). “Esse foi exatamente o caso no ciclo 2024/2025 e pode voltar a se repetir em 2026”, completa. O BTG tem recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 52.
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