À medida que a situação financeira do Banco Master se deteriorava, o então CEO da instituição, Daniel Vorcaro, passou a manter uma agenda cada vez mais frequente no Banco Central do Brasil.
Levantamento publicado pela jornalista Malu Gaspar, do O Globo, indica que Vorcaro esteve no BC ao menos 17 vezes ao longo de 2025, período em que o órgão regulador já alertava para o risco crescente de liquidez da instituição.
Os dados foram obtidos pelo jornal por meio da Lei de Acesso à Informação e mostram que a última visita ocorreu em outubro de 2025, cerca de um mês antes de o BC decretar a liquidação do Banco Master e de Vorcaro ser preso na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
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O primeiro alerta formal do Banco Central sobre a dificuldade do Master em captar recursos suficientes para reorganizar suas contas, segundo a apuração, foi feito em novembro de 2024. Naquele momento, o regulador já mencionava a possibilidade de adotar medidas prudenciais preventivas, meses antes de vir a público a tentativa de venda de ativos ao BRB.
As agendas de Vorcaro se dividiram entre Brasília e São Paulo e envolveram diferentes áreas do BC. Segundo a autarquia, as reuniões ocorreram na Presidência, na Diretoria de Fiscalização e em departamentos técnicos como a Supervisão Bancária e a Coordenação-Geral de Inteligência Financeira. O órgão não detalhou com quais dirigentes ele se reuniu, apenas as unidades que o receberam.
Reuniões e alertas
Em 8 de abril de 2025, Vorcaro esteve na unidade do BC em São Paulo no mesmo dia em que o banco foi oficialmente notificado de que as medidas adotadas até então não eram suficientes para conter o risco de liquidez. Naquele momento, o Master havia deixado de recolher depósitos compulsórios, obrigação básica do sistema financeiro. O executivo assinou um termo de compromisso prevendo a recomposição imediata da liquidez.
No dia seguinte, houve nova reunião, dessa vez com a Diretoria de Fiscalização. Até ali, segundo os registros, Vorcaro já havia passado pelo Banco Central outras cinco vezes apenas naquele início de ano.
Dois meses depois, em julho, o Banco Central identificou irregularidades nas operações de compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB. O órgão apontou um volume expressivo de operações suspeitas e sem comprovação financeira, usadas para sustentar artificialmente o valor dos ativos.
Diante dos indícios, o Ministério Público Federal foi acionado, dando início à investigação criminal que culminaria, meses depois, na prisão da cúpula do banco.
Sob esse ambiente de pressão, conforme a apuração do O Globo, Vorcaro voltou a se reunir, em 22 de julho, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino. Dois dias depois, o BC autorizou a transferência do controle do Banco Voiter, hoje Banco Pleno, para o então sócio Augusto Lima, como parte da tentativa de reorganização do conglomerado e de viabilização do negócio com o BRB.
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