Vereador rasga foto de Toffoli na tribuna, posta e arquiva após ‘baixo engajamento’

O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) rasgou uma foto do ministro Dias Toffoli na Câmara

O vereador Lucas Pavanato (PL-SP) afirmou nesta quinta-feira, 12, que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, é “uma vergonha para todos os brasileiros” e que a situação envolvendo a relatoria do ministro no escândalo do Banco Master “chega a dar náuseas”.

O parlamentar publicou nas redes sociais um vídeo em que aparece rasgando uma foto de Toffoli na tribuna da Câmara. A postagem, no entanto, foi arquivada pouco depois. A assessoria do vereador alegou “engajamento baixo” como justificativa para a retirada do conteúdo.

Na segunda, 9, a Polícia Federal pediu a suspeição do ministro Dias Toffoli após encontrar menções ao nome do relator no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

Por conta do novo achado a partir de perícias nos aparelhos de Vorcaro, a direção da PF optou por entregar um relatório ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que pediu para Toffoli se manifestar.

“O brasileiro nutre desprezo pelo senhor Dias Toffoli. Tudo isso é exposto e o que acontece? Aquele juiz que deveria ser suspeito exige as provas para si”, disse o vereador na 100ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de São Paulo.

Toffoli proferiu uma decisão nesta quinta determinando que a Polícia Federal encaminhe à Corte o conteúdo de todos os telefones celulares apreendidos na investigação do Banco Master.

Além de citações ao nome do ministro em mensagens encontradas no celular do banqueiro, o site UOL noticiou que há conversas entre o próprio Vorcaro e Toffoli. A informação foi confirmada ao Estadão por pessoas com acesso à investigação.

“Um ministro que tem relacionamentos suspeitos, que a própria Polícia Federal afirma que deveria ser suspeito no caso, ele simplesmente ignora os fatos e continua atuando”, declarou Pavanato.

Bolsonarista, Lucas Pavanato recebeu 161.386 votos e foi o vereador mais votado do País nas eleições de 2024.

“Mas quem enriquece com dinheiro público, quem enriquece com o negociata, não tem vocação para estar na nossa Suprema Corte”, acusou.

Sob pressão, o ministro confirmou que é sócio e recebeu dividendos de uma empresa que fez negócios com um fundo de investimentos ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Toffoli, porém, disse que não tem “relação de amizade” com Vorcaro e afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” do banqueiro.

Como mostrou o Estadão, Toffoli é sócio anônimo da empresa Maridt que é dirigida por seus dois irmãos e tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia no negócio de hospedagem no Paraná a fundos de investimentos que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

“Já passou da hora de caçarmos Dias Toffoli, já passou da hora de darmos um recado. O impeachment de Dias Toffoli é o mínimo que se espera para restabelecermos o respeito do Supremo Tribunal Federal”.

O presidente da Corte, Edson Fachin, interrompeu mais cedo a sessão plenária desta quinta para se reunir com todos os ministros da Corte por causa das novas denúncias envolvendo Toffoli.

O Estadão apurou que uma cópia do relatório da Polícia Federal que cita Toffoli no caso Master seria distribuída a todos os ministros, assim como a defesa do ministro após a entrega do relatório da PF.

‘Quero saber da Viviane de Moraes’

O vereador do PL também questionou a relação entre a advogada Viviane Barci de Moraes e a defesa do Banco Master na Justiça. Viviane é mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Associados previa a atuação na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.

“E nós, na confiança, não podemos dizer nada. Mas eu quero saber, é da Viviane Moraes. Onde estão os pagamentos dela? Porque uma criança de 10 anos consegue saber que é imoral a mulher de um ministro receber dinheiro, enquanto ele atua em favor desse banco.”

De acordo com o contrato, assinado em janeiro do ano passado, o escritório receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Se cumprido integralmente, o valor total poderia chegar a R$ 129 milhões até o início de 2027.

Moraes alegou, em nota divulgada em dezembro, que o escritório de sua mulher ‘jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central’.

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