UBS eleva Brasil para compra vendo fim do ciclo de alta de juro e de olho em eleições

B3 (Shutterstock)

Em relatório em que traz um panorama sobre a primeira metade do ano e perspectiva para o segundo, a equipe de estratégia do UBS revisou suas visões para os emergentes – trazendo inclusive uma visão positiva para o Brasil.

As ações do Brasil tiveram a exposição elevada de neutra para overweight (exposição acima da média, equivalente à compra), enquanto Tailândia e Polônia foram cortadas para neutra. O UBS ressaltou ainda que o mercado está mais otimista com a Coreia do Sul, mas a equipe segue neutra; já a China segue como um país com “overweight-chave”.

Para justificarem a elevação para o Brasil, o UBS ressalta que os ativos do país estão baratos em termos de múltiplos de preço sobre lucro (P/L) há algum tempo. No entanto, quase toda essa visão de mercado mais barato nas avaliações pode ser explicada por taxas de juros mais altas.

O banco apontou ter evitado tornar sua visão positiva para o Brasil até que houvesse maior conforto de que o ciclo de taxas de juros está mudando. Alguns desenvolvimentos recentes ajudam. O Banco Central (BCB) recentemente aumentou a taxa de juros para 15% ao ano, surpreendendo boa parte do mercado, mas a sua equipe macro vê isso como provavelmente o último aumento neste ciclo.

Os estrategistas esperam que os cortes de juros comecem a partir de abril de 2026, com um ritmo mais acelerado do que o esperado pelo consenso de mercado.

O banco também aponta que há uma chance de que as condições fiscais possam piorar a curto prazo na aproximação das eleições. Mas as recentes tentativas do governo de adotar políticas expansionistas foram contidas pelo Congresso.

Além disso, o governo atual, de Luiz Inácio Lula da Silva, tem sofrido recentemente com uma baixa aprovação, o que pode indicar uma mudança de regime nas eleições de 2026.

“Nossa equipe macro acredita que uma mudança para a centro-direita no poder poderia ajudar a retomar a prudência fiscal — algo que os mercados de títulos (e, consequentemente, as ações) poderiam gostar”, avalia a equipe.

Entre os catalisadores de curto prazo, o UBS aponta que : 1) a economia brasileira é razoavelmente imune a riscos tarifários, com menos de 5% do índice de receita vindo dos EUA e mais de 70% de origem doméstica; 2) o Brasil é um dos mercados mais sensíveis ao preço do petróleo e, geralmente, tem desempenho superior em ambientes de alta de preços do petróleo.

A equipe também se questiona se está atrasada ao fazer a atualização para compra e avalia que, se sua tese de que a ligação das taxas aos valuations se mantiver, então os múltiplos têm bastante espaço para subir (atualmente estão em 28% abaixo da média de 10 anos). A performance de 13% no ano até agora deve ser comparada com a de 2024, que foi de -40%, conclui.

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