As taxas dos DIs de curto prazo fecharam a quarta-feira em baixa, na esteira de declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a Selic, enquanto as taxas longas subiram sob influência do avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,635%, em baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,687% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,49%, em alta de 3 pontos-base ante 13,455%.
Pela manhã, durante evento do BTG Pactual, Galípolo repetiu que a instituição pretende começar a “calibragem” da taxa de juros a partir de março, mas evitou dar sinais sobre o que será feito no restante do ano.
“A partir de janeiro, a gente decide sinalizar que antevê, em se confirmando o cenário, essa calibragem da política monetária, a partir de março, justamente para que a gente consiga reunir mais confiança para iniciar este ciclo”, comentou Galípolo em referência à sinalização, dada no último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), de que o ciclo de cortes da Selic começará no próximo mês.
Galípolo também defendeu que a instituição tenha “serenidade” em suas decisões para o restante do ano, que serão tomadas a partir dos dados econômicos, sob pena de prejudicar a própria política monetária.
No fim de janeiro, o BC manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março.
Na B3, as opções de Copom precificavam na última segunda-feira — dado mais recente — 66,04% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, 24% de chance de redução de 25 pontos-base e 4,25% de possibilidade de baixa de 75 pontos-base. Para a reunião seguinte, de abril, a precificação é de 63,71% de chance para corte de 50 pontos-base, contra 21,00% de probabilidade de 75 pontos-base.
Operador ouvido pela Reuters pontuou que as declarações de Galípolo foram bem recebidas, e a curva brasileira somente não cedeu mais por conta do movimento dos Treasuries.
No meio da manhã, o relatório de empregos payroll mostrou que a economia norte-americana gerou 130 mil postos de trabalho em janeiro, bem acima da projeção de 70 mil vagas apontada em pesquisa da Reuters com economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,3% em janeiro, ante projeção de 4,4%.
Em reação aos números, os rendimentos dos Treasuries passaram a registrar altas fortes, em meio à leitura de que o espaço para cortes de juros nos EUA diminuiu. O avanço dos rendimentos dos títulos norte-americanos acabou por conduzir a leve alta na ponta longa da curva brasileira.
Durante a tarde, o mercado também se debruçou sobre a nova pesquisa eleitoral Genial/Quaest. Nos sete cenários de primeiro turno simulados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria entre 35% e 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) soma entre 29% e 33%. A distância entre ambos varia de 4 pontos percentuais a 8 pontos a favor do petista. Na simulação de segundo turno, Lula vence Flávio por 43% a 38%.
“Mesmo com a pesquisa Quaest e as discussões sobre a possibilidade de um novo governo Lula, temos destacado que o mercado não está precificando eleições de forma agressiva neste momento”, disse Lilian Linhares, sócia e head da Rio Negro Family Office, em comentário escrito.
“O risco eleitoral ainda é secundário frente ao fluxo estrangeiro e aos dados econômicos. A preocupação maior segue sendo a trajetória fiscal no próximo mandato, independentemente de quem vença”, acrescentou.
Às 16h35, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha alta de 6 pontos-base, a 3,512%. Já o retorno do título de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 3 pontos-base, a 4,172%.
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