O crescimento da indústria de fundos imobiliários no Brasil trouxe uma nova provocação ao mercado: existe um tamanho ideal para os fundos de fundos (FOFs)? Uma vez que no mercado de tijolo e de crédito, o tamanho costuma ser um diferencial competitivo. Fundos maiores conseguem acessar mesas de negociação relevantes e participar de grandes transações imobiliárias.
Para Mauro Dahruj, gestor do HFOF11 (Hedge TOP FOFII 3), a resposta depende essencialmente do posicionamento estratégico do fundo. “Essa é uma provocação válida. Depende de como você quer posicionar o seu fundo”, afirmou no Liga de FIIs, programa semanal do InfoMoney.
Segundo ele, ao longo dos oito anos do HFOF, a estratégia sempre foi acessar as melhores oportunidades, tanto em fundos líquidos listados quanto em operações estruturadas no mercado imobiliário.
Dahruj destacou que menos da metade do portfólio atual do HFOF está vinculada ao IFIX, o que indica uma atuação além dos grandes fundos líquidos. Mais da metade das posições hoje são operações estruturadas, não são fundos grandes e líquidos”, afirmou, ressaltando que o dinamismo do mercado permite alternar entre oportunidades listadas e estruturas sob medida.
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Crescimento da indústria ampliou diversidade
Na visão do gestor, o mercado brasileiro amadureceu significativamente nas últimas duas décadas. “Quando começamos, o mercado era 20 vezes menor”, afirmou, lembrando que o aumento de liquidez e diversidade de ativos ampliou o leque de oportunidades para FOFs ativos.
Ele reforçou que acredita mais em fundos de gestão ativa do que em estruturas passivas. Para ele, o tamanho é menos determinante do que a capacidade da equipe de identificar e estruturar oportunidades que agreguem valor ao cotista.
Hedge funds e capilaridade de ativos
Na avaliação de Isabella Almeida, gestora da Rio Bravo, os fundos multiestratégia (Hedge Funds) possuem uma capilaridade maior do que os FOFs tradicionais justamente por explorarem um universo mais amplo de ativos.
Ainda assim, ela ponderou que o tamanho também impõe limites. Em segmentos com menor liquidez, o crescimento excessivo pode dificultar tanto a entrada quanto a saída das posições. Por outro lado, fundos muito pequenos podem não ter “cheque” suficiente para acessar oportunidades maiores, como a aquisição direta de imóveis, ou podem acabar concentrando demais a carteira.
Para Almeida, o equilíbrio está no crescimento alinhado ao avanço da própria indústria. “Os fundos vão crescendo conforme o mercado também cresce”.
Confira a entrevista completa na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.
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