Strategy, maior detentora de Bitcoin do mundo, tem prejuízo de US$ 17,4 bi no 4º tri

A Strategy, empresa focada na acumulação de Bitcoin (BTC), registrou uma perda não realizada de US$ 17,44 bilhões no quarto trimestre, ligada à queda no valor do estoque de criptomoedas de cerca de US$ 63 bilhões da companhia liderada por Michael Saylor.

A empresa adotou no ano passado normas contábeis que exigem a inclusão do valor justo de suas posições em bitcoin no resultado. A mudança provocou oscilações de vários bilhões de dólares entre lucro e prejuízo nos três trimestres anteriores. No mesmo período do ano anterior, a Strategy teve prejuízo líquido de US$ 670,8 milhões, ou US$ 3,03 por ação.

A companhia também registrou um benefício fiscal diferido de US$ 5 bilhões no trimestre mais recente, informou a empresa, sediada em Tysons Corner, na Virgínia, em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) na segunda-feira (5).

A perda bilionária ocorre em um momento crítico para a fabricante de software da era da bolha da internet que se transformou em um veículo alavancado de exposição ao bitcoin. Investidores passaram a questionar o modelo de empresa de tesouraria corporativa criado por Saylor, cofundador e presidente do conselho da Strategy, há mais de cinco anos. Após superar os principais índices acionários desde essa mudança, as ações ordinárias da empresa, anteriormente conhecida como MicroStrategy, caíram 48% em 2025.

A queda das ações levantou preocupações de que a Strategy teria de vender bitcoin para arcar com custos futuros, como o aumento de dividendos e despesas com juros, já que a criptomoeda não gera renda e o negócio de software produz pouco fluxo de caixa positivo. Para ajudar a mitigar essas preocupações, a Strategy criou uma reserva de caixa em 1º de dezembro, por meio da venda de ações ordinárias. A reserva somava US$ 2,25 bilhões em 4 de janeiro.

Saylor, que começou a comprar bitcoin como proteção contra a inflação em 2020, não está sozinho ao enfrentar grandes perdas após o colapso dos preços das criptomoedas no quarto trimestre. No ano passado, diversas empresas abertas adotaram a estratégia da Strategy para acumular ativos digitais e atrair investidores interessados em exposição alavancada a cripto por meio do mercado acionário. As ações de companhias como a BitMine Immersion Technologies Inc., apoiada por Thomas Lee, dispararam antes de cair durante a retração dos ativos digitais. Elas também estão sujeitas às mesmas normas contábeis de valor justo.

Enquanto isso, a Strategy enfrenta outro possível abalo na confiança dos investidores. O valor da firma da empresa está prestes a ficar abaixo do valor de seu estoque de bitcoin pela primeira vez em mais de dois anos, reforçando as dúvidas crescentes sobre a sustentabilidade do modelo de tesouraria corporativa. O valor da firma — que inclui o endividamento e o valor nocional agregado de suas ações preferenciais perpétuas — era de cerca de US$ 63 bilhões, segundo dados compilados pela própria Strategy.

As ações acumulam queda de quase 70% em relação ao recorde atingido em novembro de 2024, reduzindo o mNAV da empresa — a relação entre sua capitalização de mercado somada à dívida e suas posições em tokens — para pouco acima de 1. O prêmio que os investidores aceitavam pagar pelas ações sustentava o argumento de Saylor para a adoção da estratégia de compra de bitcoin.

Nos sete dias encerrados em 4 de janeiro, a Strategy comprou cerca de 1.286 bitcoins por aproximadamente US$ 116,3 milhões, financiados com recursos obtidos na venda de ações ordinárias, segundo o documento divulgado na segunda-feira. A empresa detém 673.783 bitcoins, adquiridos a um preço médio de US$ 75.026.

As ações da Strategy subiam cerca de 3,8% no pré-mercado. O bitcoin avançava aproximadamente 1,5%, para US$ 92.619.

©️2026 Bloomberg L.P.

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