Spreads desabam e empresas aproveitam para emitir recorde debêntures em 2025

A forte demanda por títulos de crédito privado marcou o mercado financeiro em 2025, e as empresas aproveitaram o momento para captar recursos. Com os spreads em níveis historicamente baixos, as emissões de debêntures somaram R$ 490 bilhões ao longo do ano, um recorde, impulsionado principalmente pela busca das companhias por financiamento mais barato.

O volume emitido em 2025 representa uma alta de 3,6% em relação a 2024. Dentro desse total, o grande destaque foram as debêntures incentivadas, que oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. As emissões desse tipo de papel alcançaram R$ 172 bilhões no ano, um crescimento de 27% na comparação anual e o maior nível da série histórica. Os dados constam de relatório do Bradesco BBI divulgado nesta quarta-feira (7).

Na prática, a combinação de juros elevados nos títulos públicos e o benefício fiscal das incentivadas levou muitos investidores a migrar para esse tipo de ativo. Esse movimento aumentou a procura e pressionou para baixo os spreads, que são a remuneração adicional paga pelas empresas em relação aos títulos do governo para compensar o risco de crédito.

Mesmo com alguns eventos de crédito no segundo semestre, que ajudaram a interromper a queda dos spreads a partir de novembro, o ano terminou com taxas ainda muito comprimidas. Em dezembro, as debêntures incentivadas com rating AAA seguiram negociadas com spreads em torno de 25 pontos-base abaixo das NTN-Bs, os títulos públicos indexados à inflação. Já as debêntures atreladas ao CDI, também com classificação AAA, mantiveram spreads estáveis, mesmo em um ambiente de resgates líquidos em fundos de crédito e de infraestrutura.

Mesmo com retomada das taxas em novembro após eventos de crédito, spreads fecham ano em baixa no caso das emissões atreladas à inflação (Foto: Reprodução/Bradesco BBI)

Vale lembrar que, no caso das debêntures incentivadas, mesmo papéis emitidos sem prêmio aparente sobre o título público (“carecas”) costumam oferecer ganho real ao investidor por conta da isenção de Imposto de Renda. Ainda assim, a compressão excessiva das taxas acendeu um sinal de alerta no mercado.

A preocupação é que, com spreads muito baixos, o investidor pode acabar assumindo risco de crédito sem receber remuneração suficiente por isso. Sem uma escolha cuidadosa, o retorno do papel pode não compensar a possibilidade de problemas financeiros do emissor.

Para 2026, o tom predominante é de cautela. Na XP Investimentos, a avaliação é de que “a relação risco/retorno não se mostra tão vantajosa no momento para alguns emissores”, o que reforça a importância da seletividade e da preferência por empresas com qualidade de crédito mais robusta.

A tendência é de ajuste a partir daqui. A Sparta Investimentos destacou, em carta publicada em dezembro, que o 2025 marcado por spreads comprimidos e mercado “fortemente influenciado pelo fluxo de captação dos fundos” tende a perder perder força. “Os próximos 12 meses dificilmente se parecerão com os últimos 12”, afirmou a casa, ao apontar menor pressão compradora e maior chance de acomodação dos spreads à frente

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