Os números do setor de proteínas em dezembro e no 4º trimestre de 2025 revelam um cenário misto, com pontos positivos e sinais de cautela, aponta o Bradesco BBI.
Novamente, apontam os analistas, a carne bovina brasileira foi o destaque, sustentada por volumes expressivos e preços firmes, o que impulsionou os spreads de exportação em dezembro (aumento mensal de 5%), apesar da queda de volumes no trimestre (6%).
Já as exportações para os Estados Unidos voltaram à média pré-tarifas, com espaço para ganhos adicionais em 2026. No segmento de aves, spreads domésticos e de exportação seguem em patamares saudáveis, mas o aumento de 8% nas matrizes em 2025 sugere pressão futura sobre margens.
Nos Estados Unidos, spreads de aves interromperam a sequência de quedas, mas permanecem distantes dos picos de 2025,enquanto a carne bovina voltou a recuar em dezembro.
Assim, avalia, o setor enfrenta um ciclo menos favorável, com menor potencial para surpresas positivas nos resultados
O BBI, desta forma, entra em 2026 com uma postura cautelosa para o setor de proteínas. Para os analistas, embora a carne bovina brasileira ainda apresente fundamentos relativamente fortes, há sinais claros de desaceleração no abate e a introdução de cotas de importação pela China adiciona um obstáculo relevante.
Por outro lado, diz o BBI, o forte volume exportado para os EUA em dezembro (24,5 mil toneladas, aumento mensal de 126%) reforça a possibilidade de redirecionamento parcial das vendas, mitigando parte do impacto chinês.
Para aves, spreads continuam em níveis saudáveis, mas com um ponto de partida mais baixo —ou seja, margens já não estão no pico histórico —e a expectativa de maior produção, decorrente do aumento de matrizes em 2025, tende a pressionar preços e acelerar a virada do ciclo, antecipando um cenário menos favorável. Nos EUA, preços estabilizaram, mas spreads seguem pressionados, e a indústria bovina deve enfrentar mais um ano desafiador.
Em termos relativos, o BBI segue preferindo JBS (BDR: JBSS32), que negocia com desconto frente aos pares e se beneficia de diversificação e geração de caixa, mantendo-se como o nome mais resiliente no setor, na visão da casa.
O BTG Pactual também ressalta que os dados de exportação de proteínas do quarto trimestre mostraram volumes recordes para carne bovina e aves, e o terceiro maior nível histórico para suínos. Apesar do desempenho positivo em volumes, as margens seguiram trajetórias distintas entre as proteínas.
Na carne bovina, os spreads de exportação tiveram leve alívio mensal, mas foram pressionados no trimestre pelo aumento do custo do gado. No mercado doméstico, preços mais altos compensaram parte desses custos, elevando os spreads mensal e trimestralmente. Na avicultura, preços de exportação permaneceram fracos, mantendo pressão sobre as margens, enquanto custos de ração mais altos afetaram o mercado interno. Nos Estados Unidos, os spreads de carne bovina ficaram praticamente estáveis no trimestre, enquanto os de aves recuaram de forma relevante.
No Brasil, as exportações de frango atingiram novo recorde, sustentadas pela demanda global. A retomada das compras chinesas ocorreu apenas em dezembro e ainda em volumes reduzidos. As margens domésticas de frango seguem acima da média histórica, mas com tendência de queda, enquanto a expectativa de maior oferta em 2026 pode pressionar preços e margens.
“Nesse contexto, a JBS permanece como a única recomendação de compra no setor”, aponta o BTG, em linha com a visão do BBI sobre o tema.
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