Salário mínimo da Venezuela cai para R$ 2,34 por mês após invasão dos EUA

A desvalorização acelerada do bolívar após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e a prisão do presidente Nicolás Maduro empurrou o salário mínimo do país para um novo piso histórico. Nesta segunda-feira (5), a remuneração oficial mensal passou a valer o equivalente à cerca de R$ 2,34, segundo a cotação divulgada pelo Banco Central da Venezuela.

O salário mínimo venezuelano permanece fixado em 130 bolívares desde março de 2022. À época, o valor correspondia a cerca de US$ 30. Com a escalada da crise cambial e política, a mesma quantia hoje representa menos de US$ 0,50, refletindo a perda contínua de poder de compra da moeda local frente ao dólar.

A cotação oficial fechou em 304,30 bolívares por dólar nesta segunda, aprofundando um movimento de deterioração que se intensificou nas últimas semanas.

Apenas em 2025, o bolívar acumulou uma desvalorização de 78,8% frente à moeda americana. No mesmo período, o dólar ficou 372,2% mais caro no país, tendo iniciado o ano a 52,02 bolívares.

A pressão cambial já vinha se intensificando antes da ofensiva militar norte-americana. Em outubro, o dólar era negociado a 245,66 bolívares e, no início de novembro, estava em 223,96 bolívares. Em novembro, a moeda venezuelana chegou a perder 8,8% de seu valor em apenas um mês.

A invasão autorizada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, funcionou como catalisador de um processo de fuga para moedas fortes e aumento da instabilidade financeira.

Na prática, o salário mínimo deixou de ser referência de subsistência. Economistas apontam que a maioria dos venezuelanos depende de mecanismos paralelos para sobreviver, como remessas do exterior, atividades informais e bônus pagos pelo Estado.

Entre esses complementos estão um vale-alimentação equivalente a cerca de R$ 217 e a chamada “renda de guerra econômica”, que soma aproximadamente R$ 652 mensais para servidores públicos. Esses valores, no entanto, não integram o salário-base nem contam para benefícios trabalhistas, como férias, aposentadorias ou indenizações.

A política de manter o salário mínimo congelado e expandir o uso de bônus avulsos tem sido justificada pelo governo Maduro como uma forma de conter pressões inflacionárias e driblar os efeitos das sanções internacionais. Na prática, porém, especialistas veem um esvaziamento do sistema formal de proteção ao trabalhador. Mesmo com os adicionais, a renda total segue vulnerável às oscilações do câmbio e à dolarização informal da economia.

O espaço para reajustes é limitado. A baixa produtividade, os altos custos operacionais e o tamanho da máquina pública tornam inviável uma correção ampla. Segundo a agência EFE, a folha estatal venezuelana reúne cerca de 5,5 milhões de servidores ativos e mais de 4,5 milhões de pensionistas. Dentro desse cenário, uma elevação no salário mínimo para algo como US$ 250 mensais consumiria toda a arrecadação do país com exportações de petróleo e impostos.

O salário mínimo venezuelano figura hoje entre os mais baixos do mundo em termos nominais, com perspectivas ainda mais frágeis após a crise política aberta pela prisão de Maduro e a intervenção direta dos Estados Unidos.

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