As ações mais sensíveis aos juros subiram 44% no acumulado do ano, enquanto o Ibovespa avança 14%, deixando a Rumo (RAIL3) para trás, com alta de apenas 7%. O desempenho abaixo da média reflete preocupações do mercado com variáveis operacionais da empresa e um guidance para 2025 visto como conservador — fatores que mantiveram a ação pressionada. Às 10h07, a ação subia 2,60%, a R$ 20,10.
Agora, o Itaú BBA enxerga uma possível rotação de investidores em busca de papéis que ficaram de fora do rali, o que torna a Rumo mais atrativa. Aliado ao potencial de redução de riscos operacionais, o atual nível descontado da ação pode abrir espaço para uma recuperação no curto prazo. Com isso, o banco reiterou recomendação de compra para ações da empresa de logística Rumo (RAIL3), mas reduziu o preço-alvo de R$ 29 para R$ 25.
Embora analistas estejam otimistas com o desempenho de curto prazo, eles preferem outros nomes, como Localiza (RENT3) e Marcopolo (POMO4), já que acreditam que o perfil de longa duração da Rumo torna sua performance estrutural mais dependente de oscilações nas taxas de juros de longo prazo.
Catalisadores de curto prazo
A Rumo divulgará seus dados mensais de volume na próxima segunda-feira, e a expectativa do BBA é de um tom mais construtivo após o desempenho fraco do início de 2025.
O banco avalia que os investidores devem reagir positivamente à melhora nas projeções da safra de milho e ao volume remanescente de soja que ainda será comercializado nos próximos meses, o que pode ajudar a companhia a alcançar ao menos o piso de sua projeção de crescimento (6% ano a ano no restante de 2025). O avanço recente das tarifas de frete rodoviário também reforça, segundo o BBA, a viabilidade do guidance de EBITDA da empresa.
Incertezas
Apesar de um possível impulso no curto prazo e da tese estrutural de crescimento de longo prazo ainda válida, o Itaú BBA destaca que permanecem preocupações relevantes entre os investidores.
Entre os principais riscos estão a aprovação de tarifas, o alto consumo de caixa da companhia e as incertezas sobre a execução dos investimentos — dada a escala e a complexidade dos projetos de expansão. Em seu modelo, o banco projeta capex de R$ 6,1 bilhões em 2025, subindo para R$ 7,2 bilhões em 2027, o que pode resultar em geração de caixa negativa no fim da década.
Valuation
O BBA vê a Rumo sendo negociada a cerca de 6,0 vezes Valor da Firma (EV)/EBITDA para 2025 (excluindo arrendamentos e concessões), um nível considerado atrativo diante da queda de aproximadamente 100 pontos-base nas taxas de juros de longo prazo — enquanto o múltiplo da ação se manteve estável.
O banco projeta fluxo de caixa livre (ex-capex de expansão) de R$ 4,4 bilhões em 2026 e R$ 5,0 bilhões em 2027, o que implicaria um dividend yield de cerca de 9% em 2026. A expectativa é de que a ação da Rumo se beneficie ainda mais em um cenário de queda adicional das taxas de longo prazo.
O modelo do banco também assume um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 8,2 bilhões em 2025 — 1% abaixo do ponto médio do guidance da empresa — e capex de R$ 6,1 bilhões, próximo ao limite superior da faixa estimada pela companhia.
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