RS registra 2 tornados em 4 dias e Defesa Civil mantém alerta para tempestades

Tornado no Rio Grande do Sul, em fevereiro de 2026

Moradores do interior do Rio Grande do Sul (RS) registraram ao menos dois tornados entre os dias 12 e 15 de fevereiro, o primeiro em Pelotas e outro na região de Encruzilhada do Sul, durante uma sequência de tempestades severas que provocou destelhamentos, queda de postes e danos em diferentes municípios do Estado. Para esta segunda-feira (16), o órgão mantém alerta para chuva, raios e rajadas de vento, com risco alto de destelhamentos em áreas dos vales e da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Um tornado de curta duração, registrado por moradores do interior do Estado, marcou a sequência de tempestades severas que atingiram o Rio Grande do Sul a partir de 12 de fevereiro. O fenômeno foi observado inicialmente em Pelotas, na manhã daquele dia, quando um sistema de instabilidades avançou sobre a região Sul.

Segundo a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o tornado provocou queda de postes, galhos e danos estruturais, inclusive em uma oficina mecânica. O órgão havia emitido alerta laranja para a região ainda pela manhã. Na estação do Instituto Nacional de Meteorologia instalada no campus da Universidade Federal de Pelotas, foram registradas rajadas de vento de até 75 km/h durante a tempestade.

As instabilidades do dia 12 afetaram ao menos 17 municípios gaúchos, com ocorrências como destelhamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia. Em Estrela, cerca de 100 residências foram atingidas por um vendaval que durou menos de dez minutos e concentrou danos em bairros da faixa leste do município. A prefeita Carine Schwingel decretou situação de emergência para viabilizar a liberação de recursos. Escolas de educação infantil também sofreram destelhamentos, e equipes municipais montaram pontos de atendimento para moradores afetados.

Outras cidades relataram impactos semelhantes, como danos em telhados, galpões e estruturas públicas, além de quedas de árvores em vias e áreas rurais. Entre elas estão Arroio Grande, Jaguarão, Rio Grande, Uruguaiana, Itaqui e Cruz Alta, evidenciando a abrangência do sistema de tempestades no Estado.

Um novo tornado

Neste domingo, 15, moradores registraram novamente a formação de um tornado, desta vez na região de Encruzilhada do Sul. Meteorologistas apontam que o fenômeno esteve ligado à atuação de uma supercélula no sudeste gaúcho, que interagiu com a brisa marítima e favoreceu a rotação da tempestade, condição propícia à formação de tornados.

Conforme o Centro de Monitoramento da Defesa Civil, supercélulas são um dos tipos mais perigosos de tempestades severas. Elas se formam quando o ar quente e úmido sobe e encontra ventos mais intensos alguns quilômetros acima do solo. Este processo culmina em ventos giratórios dentro da tempestade, conhecido como mesociclone.

“Fiz a previsão hoje [15 de fevereiro], observando que, se as supercélulas no sudeste do RS interagissem com a brisa marítima em avanço, haveria potencial para formação de tornado (2% de probabilidade). Isso de fato aconteceu, pois uma supercélula produziu um tornado fotogênico sobre Encruzilhada do Sul”, escreveu Vitor Goede no X (antigo Twitter), mestre em meteorologia pela Universidade Federal de Santa Maria

O comunicado e as recomendações para hoje

Já nesta segunda-feira, 16, a Defesa Civil manteve o monitoramento e emitiu novo aviso de instabilidade: condição de alerta para a região dos vales e parte da Região Metropolitana de Porto Alegre, com previsão de chuva, ventos e descargas elétricas, além de risco alto de destelhamentos. O texto traz a orientação para evitar áreas de risco e acionar os serviços de emergência pelos telefones 190 e 193 em caso de necessidade.

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