Rede de Epstein envolveu elites políticas e financeiras, mostram arquivos dos EUA

Um novo conjunto de documentos analisados pelo Financial Times detalham como Jeffrey Epstein construiu e manteve uma ampla rede de relações com integrantes da elite política, financeira e acadêmica internacional, convertendo esses vínculos em dinheiro, acesso a informações e proteção informal, mesmo após sua condenação criminal em 2008.

Os arquivos, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, incluem milhares de e-mails, registros bancários e trocas de mensagens que apontam para um padrão recorrente. Epstein oferecia conexões, aconselhamento financeiro, intermediação de contatos e acesso a círculos exclusivos; em troca, recebia pagamentos, prestígio e influência. Quando os incentivos não funcionavam, recorria a pressão e ameaças veladas de exposição.

Segundo a apuração do FT, Epstein atuava como uma espécie de “intermediário informal” entre grandes fortunas, executivos de Wall Street, políticos e intelectuais. Bancos como o JP Morgan e o Deutsche Bank aparecem nos documentos como canais por onde passaram centenas de milhões de dólares ligados ao financista.

Só no JP Morgan, promotores mapearam mais de 4.700 transações associadas a Epstein, que somam mais de US$ 1 bilhão.

Os registros também indicam pagamentos a pessoas de alto perfil, sem que a natureza dos serviços prestados tenha ficado clara. Em alguns casos, as transferências ocorreram após Epstein já ter sido condenado por crimes sexuais, o que, segundo investigadores, levanta questionamentos adicionais sobre os mecanismos de controle e diligência adotados pelas instituições financeiras e pelos próprios beneficiários.

Além do fluxo financeiro, os e-mails sugerem circulação de informações sensíveis. Há menções a dados sobre políticas econômicas, planos governamentais e decisões regulatórias que não deveriam ter sido compartilhadas fora de canais oficiais. Em paralelo, Epstein se apresentava como conselheiro em temas para os quais não tinha qualificação formal, como planejamento tributário, gestão patrimonial e até estratégias políticas.

Os documentos também mostram tentativas de reabilitação de imagem após o recrudescimento das denúncias públicas, incluindo discussões sobre projetos de mídia e articulações para reduzir danos reputacionais. Em mensagens privadas, Epstein tratava essas iniciativas como parte de sua estratégia de sobrevivência social e financeira.

Segundo o Financial Times, o material reforça que a rede de Epstein funcionava como um sistema de trocas contínuas, sustentado por dinheiro, acesso e medo. Apesar da crescente clareza sobre os pagamentos feitos a terceiros, a origem da maior parte da fortuna de Epstein permanece pouco explicada.

Jeffrey Epstein foi preso novamente em 2019, acusado de tráfico sexual de menores, e morreu na prisão no mesmo ano. A divulgação gradual dos documentos mantém o caso no centro do debate público e amplia a pressão sobre figuras e instituições que, direta ou indiretamente, mantiveram relações com o financista.

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