O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso nesta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar para El Salvador.
A detenção ocorreu após ele romper a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e deixar o Brasil sem autorização.
Segundo autoridades brasileiras, houve um aviso de rompimento do equipamento de monitoramento, o que acionou alertas automáticos nas fronteiras e levou à comunicação imediata com forças de segurança de países vizinhos. A partir desse monitoramento, Vasques foi localizado no aeroporto paraguaio e abordado antes do embarque.
Monitoramento e alerta de violação: como funciona a tornozeleira rompida por Silvinei
Ex-diretor da PRF rompeu aparelho dez dias após ter sido condenado a 24 anos e seis meses de prisão por participação na trama golpista
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Segundo a apuração, o ex-diretor da PRF portava um passaporte paraguaio original, mas com identidade incompatível. A irregularidade levou à sua prisão pelas autoridades locais, em operação realizada com cooperação da Polícia Federal brasileira.
Após a detenção, ele foi colocado à disposição do Ministério Público do Paraguai e deve passar por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira, antes de ser entregue ao Brasil.
Condenações e histórico recente
Silvinei Vasques foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 16 de dezembro de 2025, a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A Corte entendeu que ele integrou o chamado “núcleo 2” da trama golpista, responsável por ações operacionais destinadas a sustentar Jair Bolsonaro no poder mesmo após a derrota nas urnas.
Além da pena de prisão, o ex-diretor da PRF teve os direitos políticos suspensos, tornou-se inelegível e foi condenado ao pagamento de indenização coletiva de R$ 30 milhões.
A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentou que Vasques utilizou a estrutura da PRF de forma coordenada para dificultar o voto de eleitores, especialmente no Nordeste, durante o segundo turno presidencial de 2022.
Em outro processo, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) condenou Vasques por improbidade administrativa, ao concluir que ele usou o cargo para fins eleitorais.
Entre as condutas citadas estão manifestações políticas em redes sociais com símbolos oficiais da PRF, participação em eventos com pedidos explícitos de voto e ações consideradas incompatíveis com a função pública. Como penalidade, foi condenado ao pagamento de multa de cerca de R$ 546,6 mil e ficou proibido de contratar com o poder público por quatro anos.
Medidas cautelares e fuga
Vasques havia sido preso preventivamente em 2023 em razão das operações da PRF no dia da votação, mas obteve liberdade em agosto de 2024 por decisão do ministro Alexandre de Moraes, com imposição de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
Após a condenação pelo STF, ele pediu exoneração do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José, na Grande Florianópolis, função que ocupava desde dezembro de 2024. Poucos dias depois, rompeu o monitoramento eletrônico e deixou o país.
Segundo a Polícia Federal, a tentativa de saída para El Salvador ocorreu após a comunicação às autoridades paraguaias e o acionamento da adidância brasileira no país vizinho, estrutura responsável pela cooperação internacional em segurança.
Com a prisão em Assunção, Vasques deve ser expulso do Paraguai e reconduzido ao Brasil para o cumprimento da pena imposta pelo Supremo.
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