Ter a maior reserva de petróleo do planeta nunca garantiu à Venezuela um lugar de destaque entre as grandes fortunas globais. Em 2025, o país aparece na lista de bilionários da Forbes com apenas um representante — e sua riqueza foi construída longe dos poços de petróleo.
Trata-se de Juan Carlos Escotet, fundador do grupo financeiro Banesco. Segundo a revista, o empresário acumula um patrimônio estimado em US$ 7,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões, o que o coloca na 430ª posição entre os mais ricos do planeta.
Em apenas um ano, sua fortuna praticamente dobrou, um contraste evidente com a crise prolongada que atinge a economia venezuelana. As informações foram apuradas pelo portal UOL.
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A trajetória de Escotet foge do padrão histórico do país. A Venezuela, que até o início do século 20 era uma economia agrícola baseada na exportação de café e cacau, passou por uma transformação radical após a descoberta do petróleo.
A partir dos anos 1970, tornou-se um dos maiores produtores globais, chegou a extrair cerca de 3 milhões de barris por dia e viveu um período de prosperidade restrito a uma elite, enquanto a desigualdade se aprofundava. Ainda assim, essa riqueza raramente se traduziu em grandes fortunas privadas fora do setor energético.
Escotet construiu seu patrimônio no sistema financeiro. Filho de espanhóis que migraram de Madri para a Venezuela, começou a trabalhar cedo e, aos 17 anos, atuava como office-boy no Banco Unión.
Formou-se em economia e, em 1986, fundou uma corretora financeira. O negócio cresceu, se fundiu ao próprio Banco Unión e deu origem ao Banesco, que se tornaria um dos maiores bancos privados do país.
A expansão internacional foi decisiva para a consolidação da fortuna. A partir de 2012, Escotet iniciou uma ofensiva na Europa ao adquirir instituições tradicionais na Espanha, como o Banco Echevarría e o Abanca. Mais recentemente, em 2024, comprou as operações do francês Crédit Mutuel em território espanhol, ampliando a presença do grupo no mercado europeu.
O crescimento, no entanto, ocorreu em meio a uma relação turbulenta com o chavismo. Durante os governos de Hugo Chávez e, depois, de Nicolás Maduro, o Banesco enfrentou sucessivas pressões do Estado.
Em 2018, o banco sofreu uma intervenção governamental e teve 11 executivos presos, sob acusações de manipulação cambial e enfraquecimento do bolívar. Após duas semanas e negociações diplomáticas envolvendo autoridades espanholas, os dirigentes foram libertados. A intervenção só foi encerrada no ano seguinte.
Embora o Banesco siga como uma das principais instituições financeiras da Venezuela, a estratégia atual é claramente voltada para fora do país.
Em dezembro de 2025, a subsidiária do banco nos Estados Unidos anunciou a compra de uma carteira de investimentos da Small Business Administration (SBA), no valor de US$ 95 milhões, reforçando sua atuação na Flórida e em Porto Rico.
Discreto e avesso a exposições públicas, Escotet vive há anos na cidade de La Coruña, na Espanha. Sua trajetória o coloca como uma exceção em um país onde o petróleo moldou a economia, mas não produziu, ao longo das décadas, uma elite financeira diversificada. Ele segue, até agora, como o único bilionário venezuelano a enriquecer sem depender diretamente do setor petrolífero.
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