O ataque dos EUA à Venezuela no último sábado (3), ainda que já fosse de certa forma esperado por conta das tensões elevadas nos últimos meses, deve ter impacto nos mercados globais e no brasileiro.
Num primeiro momento, os principais impactos vistos são no mercado de commodities – especialmente para o petróleo. Pedro Rodrigues, diretor e sócio-fundador do CBIE, avalia que a possibilidade de uma mudança abrupta no comando político da Venezuela reacendeu discussões sobre o impacto que o país — dono da maior reserva de petróleo do mundo — pode exercer sobre o mercado global de energia.
Para o diretor e sócio‑fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Pedro Rodrigues, o retorno da Venezuela ao ambiente democrático e ao mercado internacional teria potencial para aumentar a oferta global de petróleo e pressionar os preços para baixo no curto e médio prazo, ainda que a extração ainda demore para se consolidar.
Contudo, apesar do tamanho das reservas, o petróleo venezuelano é extremamente pesado, característica que reduz seu valor agregado. Esse tipo de óleo contém grande proporção de derivados baratos, como asfalto e coque, e menos produtos nobres — gasolina, diesel e querosene de aviação.
“Para extrair esse petróleo, o processo é caro. É preciso usar diluentes para compensar o baixo valor agregado”, explica o especialista. Isso torna a produção mais complexa e diminui a competitividade imediata do barril venezuelano. Assim, a retomada da produção levaria tempo — mas ampliaria a oferta global.
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Na mesma linha, para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o preço do petróleo cairia no médio prazo. “Donald Trump fala nominalmente nas empresas de petróleo americana, que elas seriam regularizadas na Venezuela e que voltariam a explorar petróleo por lá, sem nenhum tipo de restrição. A Venezuela é a maior reserva de petróleo do mundo, então se eles voltarem ao mercado sem sanções, significa uma oferta bem maior disponível”, destaca Cruz.
Contudo, no curtíssimo prazo, a visão de Cruz é de que pode haver um aumento no preço de petróleo, Isso porque, mesmo com as sanções econômicas, “já havia navios saindo para outros países. Ou seja, a oferta existia até em preços mais baixos, então pode ser que os preços subam um pouquinho”.
Após os ataques dos EUA à Venezuela, especialistas do mercado antecipam uma abertura em alta para os preços do petróleo bruto, ouro e prata. No entanto, afirmaram que a economia da Venezuela não é grande o suficiente e, portanto, é improvável que essa tensão geopolítica tenha um impacto significativo no mercado de ações indiano, que deve permanecer estável. Contudo, a convicção dos compradores deve sofrer alguns abalos, e pode não haver compras expressivas no início do pregão, como era esperado após a intensa sessão de sexta-feira.
Assim, num primeiro momento, a previsão é de abertura em alta já na segunda-feira para os preços das commodities energéticas, petróleo, assim como para metais preciosos, que costumam reagir a momentos de maior tensão geopolítica.
“Espera-se que o ataque dos EUA à Venezuela desencadeie tensões geopolíticas na região, o que deverá alimentar a incerteza. Portanto, prevejo uma abertura em alta para ouro, prata, cobre, petróleo bruto, gasolina, etc”, avaliou Anuj Gupta, diretor da Ya Wealth.
Sobre os motivos pelos quais os preços do ouro, da prata e do petróleo bruto devem subir após os ataques dos EUA à Venezuela, Sandeep Pandey, cofundador da Basav Capital, ainda apontou: “A crise entre EUA e Venezuela colocou em risco a rota marítima que o Peru e o Chade — entre os maiores exportadores de prata do mundo — utilizam para exportar seu metal precioso. Espera-se que isso cause uma valorização. Da mesma forma, os preços do ouro também devem subir na segunda-feira.”
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