Quais cuidados idosos devem ter na hora de contratar um seguro-viagem? Veja dicas

Entre 2010 e 2022, o número de idosos no país aumentou cerca de 1 milhão por ano, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Uma pesquisa recente da Booking.com, feita com mais de 27 mil pessoas em 33 países, incluindo o Brasil, mostra que quatro em cada cinco brasileiros (78%) se interessam por viagens que envolvam atividades de bem-estar e longevidade.

Mas o envelhecimento traz riscos maiores à saúde em deslocamentos nacionais ou internacionais. Segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney, um seguro-viagem que contemple coberturas adequadas para essa faixa etária pode ser uma importante rede de proteção, cobrindo emergências inesperadas e evitando surpresas financeiras ou logísticas.

“Pelas características fisiológicas do envelhecimento e eventual senescência, idosos acabam apresentando maiores riscos relacionados à saúde durante suas viagens”, comenta Eduardo Zincone, diretor médico da Hero Seguros.

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Zincone diz que grandes altitudes e o próprio ar seco em aviões podem desencadear ou agravar problemas respiratórios como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e asma, além de agravar quadros de desidratação — muito comum em idosos. 

“Quando o idoso faz um voo muito longo, com grandes alterações climáticas, do verão para o inverno, ou o contrário, o organismo sofre mais”, diz Luciano Bonfim, diretor comercial da Vital Card, em concordância com Zincone.

Na perspectiva de Conrado Gordon, diretor chefe de seguros da Generali, o seguro-viagem mitiga esses riscos ao garantir “acesso rápido a atendimento médico e hospitalar, inclusive para emergências que exigem internação”. 

Para o público idoso, porém, é importante ter uma atenção especial para as coberturas contratadas e alguns cuidados básicos, antes e durante a viagem. 

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Coberturas específicas recomendadas para idosos

Segundo Gordon, coberturas que reforcem o suporte médico e logístico são essenciais. É o caso de: 

  • Assistência médica e hospitalar: fundamental em situações que exigem internação ou remoção para outro centro médico;
  • Envio de acompanhante ou familiar: especialmente relevante quando o viajante está sozinho e precisa de apoio próximo durante um tratamento;
  • Regresso sanitário: que assegura o retorno ao país de origem em viagens internacionais e em transporte adequado quando há doença grave ou acidente, evitando deslocamentos que possam agravar o quadro clínico.

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“Recomendamos que idosos obtenham bilhetes com importâncias seguradas maiores. Para a Europa, em torno de 80 mil a 100 mil euros [cerca de R$ 493 mil a R$ 616 mil, no câmbio atual] costumam ser suficientes para todas as complicações possíveis, mas, considerando-se o sistema de saúde dos EUA, importâncias seguradas maiores acabam sendo necessárias mesmo para doenças menos graves”, explica Zincone.

Para Antonio Leitão, gerente do Instituto de Longevidade MAG, idosos devem considerar contratar uma cobertura odontológica nos seguros-viagem também. “Pode não ser crítica em termos de dor ou incômodo, mas gera altos custos, mesmo no Brasil. Fora, é ainda mais caro”, diz. 

Segundo os especialistas, se uma pessoa tem uma doença preexistente e, durante a viagem, sofre um agravamento em razão do clima, o seguro-viagem cobre o atendimento emergencial.

“O que não é coberto é o tratamento intencional, quando a pessoa viaja com o objetivo de tratar aquela doença. Também não há cobertura para consultas de rotina ou reposição de medicamentos de uso contínuo”, diz Bonfim. 

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Recusas comuns de sinistro

Leitão alerta para as recusas mais comuns em sinistros (ocorrência do risco previsto no contrato de seguro) de seguro-viagem, especialmente entre idosos, destacando erros simples que podem ser evitados na contratação. 

Um dos principais motivos é a imprecisão nas datas declaradas: a cobertura vale estritamente entre o período informado. 

“Quando você contrata o seguro, você tem que dizer exatamente a data em que você está partindo e exatamente a data em que você está chegando.”

Um voo saindo antes ou uma chegada posterior deixa o viajante descoberto, mesmo que o contrato esteja correto.

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Outro ponto crítico é o limite etário atingido durante a viagem. “Se a pessoa faz aniversário durante a viagem e o contrato tem um limite de contratação, ela pode ficar descoberta”, acrescenta o especialista do Instituto de Longevidade.  

O destino não declarado também gera problemas frequentes, a exemplo de uma extensão de roteiro que muda de continente, como ir da Espanha para Marrocos ou Tunísia via trem ou navio, sem cobertura específica para essa alteração.

Além disso, vale mencionar que deslocamentos para o aeroporto não são cobertos, com a proteção iniciando apenas no embarque internacional. Na volta, o mesmo vale para voos de retorno. 

Por fim, negligência ou descuido simples pode levar a uma avaliação rigorosa da seguradora, barrando o pagamento da indenização mesmo sem má-fé evidente, reforçando a necessidade de atenção total aos detalhes da apólice (contrato de seguro).​

“Se a seguradora eventualmente descobre que você foi negligente ou que você faltou com a diligência de má-fé, às vezes um mero descuido pode ser sim razão de questionamento”, diz Leitão.

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Cuidados práticos antes e durante a viagem

O InfoMoney pediu dicas aos especialistas sobre os cuidados que os idosos devem tomar após contratar um seguro-viagem e durante a viagem. Veja: 

  • Guarde a apólice de seguros, salve contatos de emergência e documentos impressos e no celular; 
  • Confirme vigência e carências da apólice; 
  • Compartilhe itinerário e contatos com familiares, bem como uma cópia da apólice; 
  • Faça check-up médico antes da viagem, 
  • Peça receitas médicas atualizadas. Para viagens internacionais, leve receitas em inglês;
  • Leve medicamentos na bagagem de mão com laudos e verifique vacinas/proibições do país de destino. Nos EUA, por exemplo, dipirona é proibido;
  • Idosos que sofrem de problemas respiratórios como DPOC e asma devem levar bombinhas;
  • Leve histórico médico resumido: tipo sanguíneo, alergias e condições de saúde, preferencialmente em inglês ou idioma do destino. 

Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!

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