Primeira semana de 2026 traz dados de inflação, emprego e cautela nos mercados

A primeira semana cheia de 2026 marca o retorno de uma agenda mais intensa para os mercados, após o período de baixa liquidez do fim de ano. No exterior, os investidores acompanham os desdobramentos geopolíticos envolvendo os Estados Unidos após o ataque na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro. No Brasil, o foco recai sobre os indicadores de inflação e atividade: o IPCA de dezembro será divulgado na sexta-feira, com projeção de alta de 0,36%, levando a inflação anual a 4,3%, enquanto o IGP-DI sai na quinta. Também ganham destaque os dados da produção industrial (PIM) de novembro, com expectativa de queda de 0,4% na comparação mensal.

A agenda doméstica inclui ainda a divulgação da balança comercial de dezembro, com projeção de superávit de US$ 7 bilhões, além da expectativa em torno da possível sanção ou veto presidencial ao projeto de lei de Dosimetria. Nos Estados Unidos, a semana será marcada por indicadores importantes, com destaque para os dados de manufatura e serviços, números de emprego privado, pedidos de auxílio-desemprego e, principalmente, o relatório oficial de emprego de dezembro.

Do ponto de vista técnico, o mercado segue em ambiente de cautela: o Ibovespa mantém a tendência de alta, mas passa por fase de acomodação após renovar máximas, enquanto as bolsas americanas operam próximas a níveis relevantes, o dólar perde força e o Bitcoin permanece abaixo de um patamar psicológico importante, deixando o mercado em compasso de espera por definições mais claras.

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Análise técnica do Ibovespa

No curto prazo, observo pelo gráfico diário que o Ibovespa (IBOV) mantém sua tendência de alta, mas vem negociando de forma mais lateral nas últimas sessões, reflexo direto do fim de ano e da redução de liquidez. Na última sessão, o índice recuou 0,36%, enquanto na semana acumulou baixa de 0,22%, fechando aos 160.538 pontos. Vale lembrar que, em dezembro de 2025, o índice renovou sua máxima histórica em 165.035 pontos.

O IFR (14) em 56,97 aponta zona neutra, indicando equilíbrio momentâneo entre compradores e vendedores.

Para retomar o movimento de alta, acompanho de perto o rompimento das resistências em 162.075/163.075 pontos e, principalmente, da máxima histórica em 165.035 pontos. Caso essa faixa seja superada, os alvos técnicos passam a ser 165.170, 167.685, 170.000 e, em extensão, 171.750 pontos.

Por outro lado, se o fluxo vendedor ganhar força, a perda do suporte em 159.700 pontos pode abrir espaço para correção em direção a 157.300 e 155.187 pontos, com alvos mais longos em 153.570 e 150.760 pontos.

Análise técnica do Dólar

No dólar futuro, observo que o ativo vinha em processo de recuperação, mas as duas últimas sessões foram marcadas por forte movimento de baixa, com rompimento das médias móveis, o que reacende o viés vendedor no curto prazo. O contrato passou a negociar abaixo das médias, e esse comportamento exige atenção, pois pode indicar continuidade da pressão.

O IFR (14) está em 48,33, ainda em zona neutra. Para dar sequência às baixas recentes, o dólar precisa romper a região de suporte em 5.452/5.399 pontos. Perdendo essa faixa, os próximos alvos ficam em 5.318,5, 5.284,5 e, mais abaixo, 5.251,5/5.208 pontos.

Para uma retomada da alta, será necessário superar 5.508/5.530,5 pontos, com projeções em 5.614, 5.669,5 e, em extensão, 5.783,5/5.889,5 pontos.

Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

Confira a análise dos minicontratos:

Análise técnica da Nasdaq

A Nasdaq segue negociando de forma lateral, próxima às médias móveis e dentro de um padrão de triângulo, o que reforça a necessidade de atenção ao próximo rompimento. O índice acumula três quedas consecutivas, com recuo de 0,17% na última sessão, sinalizando perda momentânea de força compradora.

No último mês, a Nasdaq fechou com baixa de 0,73%, mas encerrou 2025 com alta expressiva de 20,17%. Para retomar o movimento de alta, será necessário superar a faixa de 25.597/25.835 pontos, abrindo espaço para o teste do topo histórico em 26.182 pontos e, depois, 26.475/26.735 pontos.

Na ponta negativa, a perda dos 25.100 pontos pode intensificar o movimento corretivo em direção a 24.432, 24.021, 23.698 e 23.279 pontos.

Fonte: TradingView. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

Análise técnica do S&P 500

No S&P 500, a tendência principal segue positiva. O índice renovou recentemente sua máxima histórica em 6.945 pontos, mas agora negocia entre as médias móveis, refletindo um movimento de consolidação. O ativo encerrou o último mês com leve baixa de 0,05%, mas fechou 2025 com alta de 16,39%.

Para dar continuidade à tendência de alta, será fundamental superar 6.920 pontos, mirando novamente a máxima histórica em 6.945. Superada essa região, os alvos passam a ser 7.020/7.100 e 7.145 pontos.

Já para uma correção mais profunda, a perda de 6.824/6.720 pontos pode levar o índice aos suportes em 6.630, 6.521, 6.416 e 6.343 pontos.

Fonte: TradingView. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

Análise do Bitcoin

No curto prazo, o Bitcoin segue negociando de forma lateral, ainda abaixo dos US$ 100.000, após renovar sua máxima histórica em US$ 126.199 no ano passado e, desde então, entrar em um fluxo corretivo. No último mês, o ativo recuou cerca de 3%, e em 2025 acumula queda de 6,33%.

Tecnicamente, observo uma tentativa de recuperação, mas o preço segue próximo das médias móveis, sem sinal claro de força compradora. Para retomar o movimento de alta, o BTC precisa superar US$ 94.588, abrindo espaço para US$ 96.846, US$ 99.692 e, em um cenário mais construtivo, US$ 106.011 e US$ 111.592.

Para retomar a pressão vendedora, a perda das regiões de US$ 86.420, US$ 83.822 e US$ 80.734 pode levar o ativo a testar US$ 74.508, US$ 68.775, US$ 65.260 e US$ 58.946.

Fonte: TradingView. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

IFR (14) – Ibovespa

O IFR (Índice de Força Relativa), é um dos indicadores mais populares da análise técnica. Medido de 0 a 100, costuma-se usar o período de 14. Leitura abaixo ou próxima de 30 indica sobrevenda e possíveis oportunidades de compra, enquanto acima ou próxima de 70 sugere sobrecompra e chance de correção.

Além disso, o IFR permite a aplicação de técnicas como suportes, resistências, divergências e figuras gráficas. A partir disso, segue as cinco ações mais sobrecomprados e sobrevendidos do Ibovespa:

Fonte: Nelogica. Elaboração: Rodrigo Paz

(Rodrigo Paz é analista técnico)

Guias de análise técnica:

Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice.

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