Ouro e prata sofreram sua maior queda em anos, em uma reversão brusca de um rali explosivo que havia levado os preços a máximas históricas.
O ouro chegou a cair 8%, rompendo para baixo o nível de US$ 5.000 a onça, enquanto a prata recuou para abaixo de US$ 100, à medida que a onda de vendas se espalhava pelo mercado mais amplo de metais. O cobre caiu quase 4% em Londres, após ter disparado acima de US$ 14 mil a tonelada pela primeira vez na quinta-feira, em seu maior salto intradiário desde 2008.
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Uma onda de demanda de investidores por metais preciosos no último ano derrubou recorde após recorde, surpreendeu operadores experientes e gerou uma volatilidade de preços excepcional. Esse movimento só se acelerou em janeiro, à medida que investidores correram para esses refúgios tradicionais em meio a preocupações com desvalorização cambial, independência do Federal Reserve, guerras comerciais e tensões geopolíticas.
Tanto o ouro quanto a prata ainda caminham para fortes ganhos no mês, mas a liquidação desta sexta-feira é o maior choque para o rali desde uma queda semelhante em outubro. Ela foi desencadeada pela recuperação do dólar após uma reportagem afirmar que o governo Trump se preparava para indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve — algo agora confirmado. A alta do dólar abalou o apetite dos investidores que vinham comprando metais depois que o presidente sinalizou disposição de deixar a moeda enfraquecer.
O movimento do ouro “valida a história de cautela de ‘sobe rápido, cai rápido’”, disse Christopher Wong, estrategista do Oversea-Chinese Banking Corp. Embora as notícias sobre a indicação de Warsh tenham sido o gatilho, uma correção já estava atrasada, disse ele. “É como um daqueles pretextos que o mercado estava esperando para desfazer esses movimentos parabólicos.”
Os metais preciosos já estavam preparados para movimentos extremos, à medida que a disparada de preços e a volatilidade pressionavam os modelos de risco e os balanços dos operadores. Uma onda recorde de compras de opções de compra — contratos que dão ao detentor o direito de comprar a um preço predeterminado — também vinha “reforçando mecanicamente o momentum de alta dos preços”, afirmou o Goldman Sachs Group Inc. em relatório, já que os vendedores dessas opções protegiam sua exposição à alta comprando mais.
Mesmo após a correção, o ouro ainda sobe cerca de 18% em janeiro, aproximando-se de seu maior ganho mensal desde 1980. O salto da prata tem sido impressionante, com o metal branco acumulando alta de mais de 40% no ano.
A magnitude da correção “sugere que os participantes do mercado estavam simplesmente esperando uma oportunidade para realizar lucros após a rápida alta dos preços”, escreveram analistas do Commerzbank AG em nota nesta sexta-feira. Ainda assim, embora rumores sobre a nomeação de Warsh possam ter desencadeado a queda, há grande probabilidade de que o Fed “ceda à pressão ao menos em parte e corte juros mais do que o mercado atualmente precifica”, disse o Commerzbank.
Com ouro e prata já tendo disparado tanto neste ano, alguns indicadores técnicos deram sinais de alerta. Um deles é o índice de força relativa (RSI), que nas últimas semanas indicava que ambos os metais poderiam estar sobrecomprados e prontos para uma correção. O RSI do ouro recentemente atingiu 90, o maior nível em décadas para o metal precioso.
Investidores chineses lideraram o movimento de alta, comprando com tanta intensidade que levaram a Bolsa de Futuros de Xangai a anunciar às pressas medidas para esfriar a disparada nos mercados de metais preciosos e industriais.
O que dizem os estrategistas da Bloomberg:
“A razão prata/ouro subiu quase tanto quanto no fim da década de 1970, e os movimentos dramáticos de hoje mostram que isso pode ter marcado um ponto de rejeição. Ouro e prata isoladamente, porém, até agora não chegaram a igualar os ralis de 1979. Se a prata em relação ao ouro marca o fim de um rali histórico em metais preciosos, ainda é cedo para dizer. Mas o preço agora está assumindo o papel de principal força motriz, e os fundamentos vão ficar em segundo plano por enquanto.”
— Simon White, estrategista macro
O presidente Donald Trump disse que pretende indicar Warsh para ser o próximo presidente do Fed em uma publicação nesta sexta-feira. O ex-diretor do banco central tem uma reputação de longa data como “hawk” da inflação, mas se alinhou ao presidente nos últimos meses ao defender publicamente juros mais baixos. Trump afirmou que anunciaria seu indicado na manhã de sexta-feira, no horário dos EUA.
Enquanto isso, o risco de uma nova paralisação do governo dos EUA foi evitado depois que Trump e democratas no Senado chegaram a um acordo preliminar. A Casa Branca continua negociando com os democratas a adoção de novos limites às operações de imigração que têm provocado indignação nacional.
O ouro à vista caía 6,1%, a US$ 5.049,21 a onça, às 9h21 em Nova York. A prata recuava 15%, a US$ 98,80 a onça, enquanto platina e paládio também tombavam. O Bloomberg Dollar Spot Index subia 0,4%.
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