Políticas sociais, prisão, ‘soberania’: como será desfile em homenagem a Lula no Rio

A Acadêmicos de Niterói será a primeira escola a desfilar no Grupo Especial do Rio neste domingo (15) com um enredo dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile terá cinco setores e cinco carros alegóricos que percorrem a trajetória do petista da infância em Pernambuco ao terceiro mandato.

De acordo com a escola, a narrativa segue ordem cronológica. O primeiro setor retrata o nascimento em Guaranhuns (PE), a convivência com a seca e o imaginário popular nordestino. O abre-alas apresenta a dualidade entre escassez e exuberância da paisagem do agreste, com esculturas de animais divididas entre formas realistas e ossadas, simbolizando fome e sobrevivência. A figura de Dona Lindu, mãe do presidente, conduz a abertura.

O segundo setor aborda a migração da família para São Paulo em 1952, após período de estiagem. O carro “Pro destino retirante” traz um caminhão pau de arara e referências à religiosidade da família, além de elementos associados ao cangaço como símbolo de resistência social.

(Foto: Reprodução/Acadêmicos de Niterói)

No terceiro setor, o desfile se concentra na fase de operário e líder sindical no ABC paulista. O carro “Feito metal: de operário a presidente” associa a trajetória de Lula à metalurgia, com engrenagens representando o tempo até a eleição presidencial. A ala “União pelos Trabalhadores” encena greves do fim dos anos 1970, repressão da Ditadura Militar e a primeira prisão do então sindicalista. Também estão previstas referências à fundação do Partido dos Trabalhadores e à eleição como deputado constituinte em 1986.

O quarto setor destaca políticas públicas implementadas nos mandatos presidenciais. Entre os programas mencionados estão Fome Zero e Bolsa Família, Luz Para Todos, Minha Casa, Minha Vida e ProUni. A ala “A fome tem pressa” faz referência ao lançamento do Fome Zero em 2003, enquanto outras alas abordam acesso à universidade, moradia popular e demarcação de terras indígenas. O carro “O Brasil mudou de cara” inclui menção à prisão de Lula em 2018 e à vitória nas eleições de 2022.

O quinto e último setor, “Assim que se firma a soberania”, encerra o desfile com alegoria inspirada na arquitetura de Brasília e bandeiras nacionais. O carro final exalta democracia e soberania nacional, com citação de discurso do presidente.

(Foto: Reprodução/Acadêmicos de Niterói)

Além da narrativa biográfica, o desfile deve incluir elementos que dialogam com o cenário político atual. Um dos carros fará referência ao período que a escola classifica como de “retrocessos”, com representação de desigualdade social e críticas ao negacionismo científico na pandemia.

Outra ala, descrita como “ironia democrática”, levará para a Avenida a expressão “solte sua Janja”, em alusão à primeira-dama, como parte da proposta artística da agremiação. Já a ala “Neoconservadores em conserva”, fantasias mostram uma lata de conserva, “com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos”, pontua a escola.

(Foto: Reprodução/Acadêmicos de Niterói)

A Acadêmicos de Niterói justifica a escolha do enredo como alinhada à tradição do Carnaval de abordar personagens políticos e temas sociais. No documento oficial, afirma que o desfile deve ser analisado “sem pré-concepções ou resistências” e como expressão cultural e democrática.

A homenagem ocorre em meio a questionamentos da oposição sobre possível conotação eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral já decidiu que o enredo não configura propaganda antecipada, mas alertou para a necessidade de evitar pedidos explícitos de voto durante a apresentação.

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