Petrobras (PETR4) sobe mais de 20% no ano: o que já está precificado e o que esperar?

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) têm fortes ganhos no ano, inclusive com os ADRs (recibo de ações negociados em NY) em avanço de 31% no acumulado do ano para os ativos PBR; já na B3, os papéis PETR4 sobem cerca de 24%. Desta forma, os ativos superam com folga o desempenho de pares globais, levantando entre investidores a dúvida sobre quanto desse movimento já está precificado.

Segundo o Goldman Sachs, a forte alta reflete principalmente a escalada do petróleo, com o Brent avançando aproximadamente 14% no ano, a elevada exposição da estatal ao segmento exploração e produção e os fluxos de capital estrangeiro para o Brasil, que impulsionaram o MSCI Brazil (índice que mede o desempenho de ações de grandes e médias empresas brasileiras) a subir 20% no ano.

Do ponto de vista de fundamentos, o Goldman estima que a Petrobras entregue dividend yield (rendimento de dividendos) entre 9% e 10% em 2026 e 2027, considerando a curva futura do petróleo em torno de US$ 67 e US$ 65 por barril nesses anos.

O relatório destaca que, ao preço das ações em 31 de dezembro de 2025 e assumindo Brent médio de US$ 60 a US$ 61 por barril, o yield (rendimento) implícito para 2026 e 2027 já era de cerca de 9%, o que indica que a alta superior a 30% foi impulsionada sobretudo pelo petróleo mais caro, e não por uma reprecificação estrutural relevante.

Para o Goldman, uma avaliação em torno de 10% de dividend yield é razoável. Caso os preços do petróleo se mantenham nos níveis atuais, a ação pode oferecer esse retorno combinado com possíveis catalisadores, como as eleições nacionais de outubro e surpresas positivas na produção em 2026.

Riscos de correção de preços nas ações

Na avaliação do Goldman Sachs, o principal risco para esse cenário seria uma queda do petróleo se os prêmios geopolíticos e a fraqueza do dólar diminuírem em um mercado global com excesso de oferta.

A equipe de commodities do banco estima um prêmio geopolítico de US$ 5 a US$ 7 por barril, abaixo dos cerca de US$ 10 vistos no Brent no acumulado do ano, parte dos quais foi atribuída a menor produção no Cazaquistão. Se esses fatores arrefecerem, o banco vê espaço para correção nos preços e, consequentemente, nas ações da Petrobras. Por outro lado, novas tensões geopolíticas ou maior enfraquecimento do dólar poderiam sustentar os preços.

Produção deve seguir em alta em 2026

Segundo estatimativas do Goldman, a produção de petróleo da Petrobras deve crescer cerca de 10% em 2026, após avanço de 11% em 2025, impulsionada pela entrada de dois novos FPSOs (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência), sendo um já em operação desde o início de janeiro e outro a caminho do Brasil, além do ramp-up contínuo de plataformas recém-inauguradas. Essa estimativa coloca o Goldman 3% acima do consenso da Bloomberg e 6% acima do ponto médio do guidance da companhia para este ano.

Embora haja riscos de paradas inesperadas para manutenção, o banco vê também potencial de alta caso a gestão consiga antecipar cronogramas de novas unidades produtivas.

Eleições 2026

O Goldman Sachs ressalta que não faz projeções sobre o resultado das eleições nacionais de outubro, mas avalia que uma eventual mudança para uma administração mais pró-mercado poderia ser bem recebida pelos investidores e servir de catalisador para a ação.

O Goldman lembra que, entre 2019 e 2022, a Petrobras vinha se desfazendo de ativos considerados não estratégicos, focando no pré-sal e distribuindo maior fluxo de caixa via dividendos, estratégia que mudou em 2023.

Por outro lado, uma administração mais pró-mercado poderia levar à valorização do real frente ao dólar, o que criaria alguma pressão negativa, já que a maior parte das receitas da empresa é denominada em dólar e parte dos custos em real.

Governança limita riscos

Segundo o banco, a governança da Petrobras tem se mostrado resiliente e tende a restringir eventuais intervenções governamentais tanto na política de preços de combustíveis quanto nas decisões de alocação de capital.

Desde a posse da atual gestão, a estatal vem praticando preços em linha, em média, com referências internacionais, e investimentos ou aquisições em renováveis, de retorno menor que no upstream, têm sido marginais frente ao capex destinado ao principal negócio de exploração e produção.

Distribuição e estatais no radar do Bradesco BBI

Em relatório sobre o petróleo e gás no geral, que subiu setorialmente, o Bradesco BBI avalia que estatais como Petrobras, além da Ecopetrol, começam a parecer caras – isso especialmente do ponto de vista do dividend yield. A colombiana Ecopetrol teria hoje o menor rendimento projetado para 2026 entre seus pares globais, em torno de 3,7%, enquanto o da Petrobras, estimado em 6,6%, ficaria abaixo da média das petroleiras americanas Exxon e Chevron, de 7,1%, além da Vale (VALE3), considerando dividendos extraordinários, de 7,8%.

Por outro lado, o banco avalia ser cedo afirmar que as companhias de distribuição de combustíveis estejam caras, já que os múltiplos de lucro projetados para 2026 se reprecificaram em linha com a média do setor, enquanto os fundamentos vêm melhorando, com perspectiva de maior crescimento do NOPAT (lucro operacional após impostos), avanço do ROIC (retorno sobre o capital investido) e redução do custo de capital.

O BBI ainda comenta que alguns nomes sob cobertura e até o Ibovespa como um todo avançaram recentemente com pouco ou nenhum suporte fundamental. Diante desse cenário, o banco recomenda que investidores mantenham exposição a empresas de alta qualidade, com perspectiva de melhora em indicadores como crescimento e retorno sobre o capital investido, que tendem a se sair melhor em caso de correção do mercado.

Goldman reitera preferência relativa por PRIO (PRIO3)

O Goldman mantém preferência relativa por PRIO (PRIO3), devido ao crescimento forte da produção no curto prazo com o avanço do campo de Wahoo e maior visibilidade para dividendos.

No entanto, o banco preserva recomendação de compra para a Petrobras, com preço-alvo em 12 meses baseado em múltiplo de 3,4 vezes EV/EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). Os preços-alvos são de R$ 35,00 para PETR3 e R$ 32,80 para PETR4.

A recomendação se baseia em quatro pilares: (i) carrego considerado atrativo com dividend yield de cerca de 10%; (ii) desempenho operacional sólido, com projeções próximas ao topo do guidance de produção para 2026; (iii) governança resiliente; e (iv) visão construtiva de longo prazo para a demanda global por petróleo, apesar do risco de excesso de oferta no curto prazo.

O BTG Pactual, por sua vez,destaca que o efeito positivo do Brent mais alto para Petrobras tende a ser compensado pelo real mais forte, dado que cerca de 70% do opex e 50% do capex estão em reais.

No caso de PetroReconcavo (RECV3), ajustes macro podem gerar impacto negativo relevante nas estimativas, enquanto para a Brava (BRAV3), o efeito líquido das variáveis macro é positivo, com maior EBITDA e fluxo de caixa para o acionista.

Segundo o BTG, a PRIO apresenta baixa exposição a custos em reais, destacando-se entre as empresas. No cenário base, o câmbio e o Brent no mercado à vista elevam o yield de fluxo de caixa para o acionista para 19,8%, excluindo aquisições. A companhia permanece como a preferida do banco no setor, apoiada por maior alavancagem ao Brent, catalisadores operacionais como primeiro óleo de Wahoo, redução de custos em Peregrino, possível política de dividendos no segundo trimestre de 2026 e programa ativo de recompra.

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