Moradores e comerciantes de Leme e Copacabana estão três dias sem luz e sem água

Moradores e comerciantes do Leme e de parte de Copacabana enfrentaram ontem o terceiro dia seguido sem energia elétrica. Além da falta de geladeira e ar-condicionado, equipamentos essenciais nesse calorão, muitos consumidores se depararam com as bicas secas porque as bombas d’água não podiam ser acionadas. Após informar, na noite de domingo, que o fornecimento havia sido restabelecido, a Light divulgou 24 horas depois que “segue empenhada para restabelecer o fornecimento para os clientes que ainda estão sem energia”. O paliativo adotado pela companhia foi a instalação de geradores para atender a parte dos imóveis, mas condomínios e estabelecimentos que não foram contemplados tiveram que alugar os equipamentos por conta própria.

O apagão prolongado — causado, de acordo com a Light, por furtos de cabos — isolou pessoas com dificuldade de locomoção que moram em prédios onde elevadores ficaram parados. O comércio também amargou prejuízo num período de grande movimento na Zona Sul. Thiago Moura, presidente do Polo Gastronômico da Zona Sul, afirma que pelo menos 15 restaurantes associados foram afetados, com a perda de faturamento e o descarte de produtos que precisam de refrigeração. O prejuízo estimado, segundo ele, chega a R$ 1,35 milhão.

Na Rua Belfort Roxo, em Copacabana, por exemplo, o restaurante Conexão Tropical calcula um prejuízo de cerca de R$ 40 mil após ficar sem energia das 12h30 de sábado até as 9h de ontem, período em que permaneceu fechado. Técnicos da Light instalaram ontem um gerador na esquina da rua, como medida paliativa, até que a rede elétrica seja totalmente restabelecida.

— Aqui trabalhamos com comida. Ficamos esse tempo todo sem luz, foram dois dias inteiros sem trabalhar. Em plena alta temporada, isso é muito ruim para a gente, fora o material que pode estragar — afirmou a dona do restaurante, Shirley de Moraes.

Perícia em dois pontos

Em nota, a Light informou que atua desde o início da tarde de sábado com cem técnicos para estabelecer a energia. No ano passado, diz a empresa, foram registrados 353 furtos de cabos em Copacabana. No Leme, houve 11 furtos, com cerca de 8,4 quilômetros de rede subtraída e prejuízo estimado em R$ 728 mil. A concessionária só comunicou o caso à polícia na tarde de domingo, 24 horas após a queda da energia. O delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), confirmou o registro e disse que ocorreram vários pequenos furtos, totalizando 400 metros de cabos, que não foram percebidos de imediato. Ontem houve perícia em dois pontos.

Na noite de ontem, a Justiça determinou que “a Light reestabeleça, imediatamente, a energia elétrica em todas as unidades consumidoras afetadas”, sob a pena de multa de R$ 200 mil, a partir de 24 horas após a ciência da decisão. Impetrada pela Defensoria Pública do Estado do Rio, a ação destaca que a demora na solução do problema expõe moradores a riscos de segurança e à perda de alimentos e medicamentos, além de agravar o desconforto térmico durante o forte calor. Em nota, ressaltou ainda que, apesar da alegação de furto de cabos, “a responsabilidade da concessionária é objetiva, o que exige equipes de contingência prontas para uma resposta rápida”.

Já o Procon Carioca notificou a Light para apresentar, em 24 horas, sob pena de multa, esclarecimentos detalhados sobre o restabelecimento do serviço, além do ressarcimento dos consumidores por perdas de alimentos e danos a eletrodomésticos, assim como o abatimento proporcional nas faturas de energia.

— O abastecimento de energia elétrica é um serviço essencial e não pode ser interrompido por mais de 48 horas sem explicações claras. A Light precisa assumir sua responsabilidade, prestar informações transparentes e compensar integralmente a população pelos prejuízos causados — disse o secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, João Pires.

Faturamento derrete

No comércio, o momento é de calcular esses prejuízos. Na Sorvetiño, na Avenida Prado Júnior, o problema não foi apenas o corte de energia, mas também a falta de sinal de internet. Com temperaturas elevadas no fim de semana, o faturamento derreteu, com perdas em torno de R$ 8 mil. Sem conexão, a loja ficou impossibilitada de aceitar pagamentos em cartão de crédito e teve de operar apenas com Pix e dinheiro. O serviço de entrega ficou parado durante todo o período.

— Desde sábado à tarde até o domingo inteiro, ficamos sem wi-fi e sem sinal de celular. As pessoas deixaram de comprar sorvete porque não conseguiam pagar, e o delivery não funcionou — explicou Letícia Medeiros, que trabalha na gerência da loja.

Também na Avenida Prado Júnior, o salão de beleza de Eduarda Rodrigues, que está há 12 anos no mesmo endereço, perdeu clientes: só no domingo foram 20.

— Eu estava fazendo um cabelo com mechas quando acabou a luz no sábado. A cadeira é elétrica e não tinha energia para puxar água. Tive que lavar o cabelo da cliente com baldes. Era um serviço de mil reais, e tive que cobrar R$ 500 por causa de tudo que aconteceu. Olha o prejuízo — disse Eduarda.

No Leme, a Borracharia Legal calcula uma perda de R$ 6 mil em dois dias. De acordo com Denis de Lei Furtado, o estabelecimento depende totalmente da energia elétrica para operar.

— No sábado, não trabalhamos nada. No domingo, só fizemos R$ 200 à noite. A gente depende da luz para levantar carro, para encher pneu, não tem como trabalhar sem energia — disse.

Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, a drogaria Boa Saúde teve que “funcionar” durante o apagão. Sem energia, as portas automáticas não puderam ser fechadas até a chegada de um gerador da Light. Bem em frente, o restaurante Dantes precisou arcar com o custo do aluguel de um gerador: uma despesa extra de R$ 5 mil.

O sindicato Hotéis Rio informou que a maioria dos estabelecimentos tem gerador próprio.

Com relação às comunidades Chapéu-Mangueira e Babilônia, no Leme, a Light informou que restabelecer o fornecimento de energia é mais difícil devido às ligações clandestinas que sobrecarregam o sistema.

The post Moradores e comerciantes de Leme e Copacabana estão três dias sem luz e sem água appeared first on InfoMoney.

Scroll to Top