A aeronave que caiu nesta quinta-feira (12), logo após decolar do aeroporto de Ahmedabad, na Índia, era um Boeing 787-8 Dreamliner — o mesmo modelo cujas falhas foram denunciadas publicamente pelo mecânico Richard Cuevas em 2024. O acidente envolveu 242 pessoas a bordo, e autoridades locais já confirmam mais de 100 mortes.
Cuevas, que prestava serviço para a Strom — empresa terceirizada pela Spirit AeroSystems, fornecedora da Boeing — afirmou ter identificado irregularidades críticas na fabricação de peças estruturais dos aviões 787 durante o ano de 2023. Segundo ele, técnicos da fábrica da Spirit, em Wichita (Kansas), realizaram perfurações maiores do que as especificações técnicas nos anteparos de pressão dianteiros das aeronaves.
O que se sabe até agora sobre queda de avião na Índia
A aeronave que decolou de Ahmedabad com destino a Londres transportava 242 pessoas entre passageiros e tripulantes
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Mensagem do piloto chegou ao controle de tráfego aéreo de Ahmedabad, mas, depois disso, a aeronave não respondeu às chamadas feitas pelos controladores aéreos
Alertas ignorados
Segundo Cuevas, as perfurações eram feitas intencionalmente para “limpar excesso de tinta e acelerar o processo produtivo”, o que poderia comprometer a integridade estrutural e a pressurização das aeronaves durante o voo.
O mecânico reportou formalmente os riscos à Boeing e à Spirit em outubro de 2023, mas foi demitido meses depois. Na época, ele estimava que entre 10 e 12 aeronaves poderiam ter sido afetadas — três das quais ele mesmo havia inspecionado.
Em resposta, a Boeing declarou que “levou a sério as preocupações” e conduziu uma investigação interna. A análise de engenharia, segundo a companhia, concluiu que os problemas relatados “não representavam risco à segurança”. A Spirit AeroSystems não comentou publicamente o caso.
Acúmulo de denúncias
O alerta de Cuevas se soma a uma série de denúncias que, nos últimos anos, colocaram a Boeing sob pressão global.
O engenheiro Sam Salehpour já havia apontado a existência de “lacunas estruturais” nos modelos 787 e 777. Outro ex-funcionário, John Barnett, que trabalhou por mais de três décadas na empresa, denunciou falhas deliberadas na instalação de peças e problemas no sistema de oxigênio dos Dreamliners — alegando que uma em cada quatro máscaras poderia falhar numa emergência.
A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos registrou um aumento significativo no número de denúncias internas relacionadas à Boeing: foram 126 casos analisados apenas em 2025, contra 11 no ano anterior, segundo a agência Bloomberg.
Acidente
A aeronave da Air India seguia para o aeroporto de Gatwick, em Londres, quando caiu em uma área residencial próxima ao terminal indiano logo após a decolagem.
Além dos passageiros a bordo — incluindo 169 indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadense — o impacto destruiu um alojamento de médicos, onde dezenas de pessoas estavam reunidas para o almoço.
O ministro da Saúde da Índia afirmou que há “muitos mortos” e que os trabalhos de resgate continuam. Até o momento, 100 corpos foram retirados dos escombros, mas ainda há vítimas desaparecidas. A Air India declarou que está cooperando com as investigações e que equipes de resgate foram mobilizadas imediatamente.
A causa oficial da queda ainda será determinada por autoridades indianas e agências internacionais de segurança aeronáutica. No entanto, o histórico recente de falhas em processos industriais da Boeing tende a pressionar as investigações.
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