O MDB, partido com três ministérios no governo Lula (PT), mas que compõe a base aliada de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, negocia uma posição de destaque na chapa de reeleição do governador. Na segunda-feira, 9, o presidente nacional da sigla, deputado federal Baleia Rossi, teve uma reunião a portas fechadas com o mandatário para alinhar o assunto. A conversa ocorre em meio a especulações de que a sigla poderia reeditar uma chapa com o PT em âmbito nacional. Aliados avaliam que o encontro teve como intuito frear o ímpeto da ala lulista e agradar os membros do diretório paulista que contestam o movimento, como o prefeito paulistano, Ricardo Nunes.
Existe a perspectiva de que o partido do ex-presidente Michel Temer possa pleitear uma vaga na disputa majoritária, sobretudo depois que o PSD de Gilberto Kassab passou a acenar com um trio de governadores presidenciáveis, em contraposição ao senador Flávio Bolsonaro (PL), e de declarações do dirigente terem desagrado o governador de São Paulo, de quem é secretário de Governo. Uma das opções é oferecer um candidato de centro ao Senado, atendendo a um desejo manifestado pelo próprio Tarcísio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Há três alternativas principais: a deputada federal Simone Marquetto, ex-prefeita de Itapetininga, o ex-governador Rodrigo Garcia, atualmente sem partido e que foi derrotado justamente por Tarcísio há quatro anos, ou o próprio Baleia. Numa configuração menos provável, o partido também surge como opção de destino para o atual vice-governador Felício Ramuth (PSD), que concorre contra Kassab pelo posto no segundo mandato. Segundo interlocutores do PSD, o vice tem dito internamente que a sua preferência é por continuar no partido, mas não descarta a mudança caso seja barrado na empreitada à reeleição.
O GLOBO apurou que, nos bastidores, a relação entre Kassab e Ramuth tem sido conflituosa. Declarações anteriores de Nunes de que o atual vice de Tarcísio seria o “candidato natural” à sucessão do político em São Paulo, na hipótese de o governador concorrer à presidência em 2026, causaram mal-estar e foram lidos pelo chefe do PSD como um sinal de articulação pelas suas costas. O ápice do descontentamento de Kassab com Nunes ocorreu durante uma missa na Catedral da Sé, no fim do ano, ocasião em que o cacique do PSD teria cumprimentado Nunes “de forma fria”, segundo relatos de pessoas bem próximas ao prefeito paulistano. Procurados, Nunes, Felício e Kassab negam os atritos.
– Furado, não caia nessa. Zero de problemas entre mim e Ricardo Nunes. E entre mim e o Felício – disse Kassab.
Alguns aliados de Tarcísio, porém, acreditam que o governador pode optar pessoalmente pela manutenção de Ramuth, o que deixa Kassab em um dilema sobre avalizar ou não a escolha em âmbito partidário. Uma conversa entre os dois está marcada para o final do mês, depois do Carnaval. Uma eventual migração de legenda precisaria ser feita até dia 4 de abril, por conta da exigência da Justiça Eleitoral de estar filiado há pelo menos seis meses antes do primeiro turno.
O MDB, contudo, tem uma dívida com o governador de São Paulo, e não o contrário, ressaltam lideranças de outros partidos da base. Isso porque Tarcísio trabalhou ativamente na campanha de reeleição do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, em 2024, mesmo com Bolsonaro o aconselhando a manter uma distância segura. Esse aspecto sugere que um acerto do tipo provavelmente se concretizaria apenas mediante influência de Tarcísio nos acordos em nível federal. Uma moeda de troca, nesse sentido, seria o afastamento do plano de assumir a vice de Lula, algo que tem sido especulado no Planalto.
Ala governista pressiona em nível federal
A composição do MDB com o presidente Lula é defendida por setores governistas do partido, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Já foram cotados para a posição de vice, atualmente ocupada por Geraldo Alckmin (PSB), o governador do Pará, Helder Barbalho, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o ministro dos Transportes, Renan Filho. A possibilidade desse acordo, por outro lado, tem sido fustigada por diretórios importantes, como os de São Paulo e Rio Grande do Sul. Nunes, por exemplo, garante que a maioria dos estados é contra o plano e prefere a neutralidade, deixando a seu critério oferecer ou não palanque ao presidente.
Entre as siglas do chamado “Centrão”, bloco informal de partidos que sempre aderem ao governo, o MDB desponta como mais acessível neste momento a uma coligação com o PT. O PSD posiciona os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, como pré-candidatos. O Republicanos tem em Tarcísio o seu principal nome eleitoral, e a contrariedade aos seus planos poderia facilitar uma mudança ao PL. PP e União Brasil, que devem formar uma federação este ano, por sua vez, apresentam ainda mais contestações internas a Lula.
Desde o final do ano passado, também circula entre ministros do governo Lula a opção de escalar Simone Tebet para o enfrentamento ao grupo de Tarcísio no estado. A tendência era a de tentar uma vaga ao Senado, com uma eventual troca de partido — o PSB, interessado na manutenção de Alckmin na vice, fez um convite formal à ministra. Pesquisas, contudo, também foram realizadas para o Executivo paulista, onde adotaria o mote de que o estado nunca elegeu uma mulher ao cargo. Os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Marina Silva, do Meio Ambiente, estão no páreo, assim como Alckmin.
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