Lula nega erro em decreto do IOF, mas admite que faltou articulação com Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (3) que não considera um erro o anúncio do decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas reconheceu que faltou diálogo prévio com lideranças do Congresso. Em coletiva à imprensa em Brasília, Lula disse que a medida foi lançada num momento político e sem tempo hábil para consulta aos aliados, o que gerou desgaste que poderia ter sido evitado.

“O que a Fazenda fez foi trabalhar. Era uma sexta-feira, eles queriam anunciar rápido para dar tranquilidade à sociedade. Eu não acho que isso tenha sido um erro”, declarou. “Mas toda vez que a gente toma uma atitude sem conversar com quem vai defender a proposta, a gente pode cometer erros.”

O presidente ainda defendeu o ministro Fernando Haddad, destacando que em nenhum momento houve resistência do titular da Fazenda em revisar a proposta. “Apareceu ideia melhor? Vamos discutir. É isso que a gente tem que fazer”, afirmou.

A declaração ocorre horas antes de uma reunião marcada com Haddad e os líderes do Congresso para discutir o pacote de medidas fiscais estruturais que o governo deve apresentar ainda hoje como alternativa à manutenção do decreto do IOF, que enfrenta forte resistência no Congresso. O plano deve incluir uma PEC, um projeto de lei e uma medida provisória, segundo antecipou o próprio ministro.

Na coletiva, Lula também reiterou que a condução da política econômica precisa ser feita com responsabilidade e sem improvisos. “Em economia não tem mágica. E quem pensa que tem mágica quebra a cara”, disse, repetindo a metáfora que utilizou no início do primeiro mandato: “Não se dá cavalo de pau em um transatlântico do tamanho do Brasil.”

O decreto do IOF, editado em 22 de maio, aumentou alíquotas sobre operações com cartões internacionais, compra de moeda em espécie e crédito. A medida foi parcialmente revertida após críticas do mercado, mas ainda está em vigor e é alvo de mais de 20 projetos de decreto legislativo (PDLs). O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu prazo até esta semana para o governo apresentar alternativas. Se não houver acordo, os PDLs devem ser pautados.

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