(Bloomberg) — A Eli Lilly & Co. divulgou na quarta-feira uma previsão otimista de vendas para o ano, impulsionada pela forte demanda por seu medicamento para perda de peso, consolidando sua posição de liderança no mercado de obesidade.
A previsão contrastou fortemente com a da rival Novo Nordisk A/S, que alertou os investidores na terça-feira que suas vendas poderiam cair até 13% este ano devido à intensificação da concorrência de preços no mercado de emagrecimento. A Lilly, por outro lado, espera que suas vendas cresçam até 27% este ano.
As ações da Lilly subiram 9,1% às 8h07 em Nova York, antes do início do pregão regular.
Os medicamentos para perda de peso estão em alta demanda, e a Lilly e a Novo estão enfrentando a concorrência de empresas de telemedicina que vendem versões genéricas mais baratas. O presidente Donald Trump também priorizou a redução dos custos dos medicamentos, e ambas as farmacêuticas fecharam acordos para oferecer preços mais baixos como consequência.
A Lilly está em uma posição comparativamente mais forte do que a Novo, porque seus medicamentos de grande sucesso, Mounjaro, para diabetes, e Zepbound, para obesidade, têm mais uma década de patente. A Lilly também tem sido mais proativa no combate à concorrência de genéricos. Enquanto isso, os medicamentos da Novo enfrentarão a concorrência de genéricos já neste ano em alguns países.
“Isso é mais uma prova de que eles estão dominando a categoria”, disse Jared Holz, da Mizuho, sobre a posição da Lilly no mercado de medicamentos para obesidade. “A Novo está jogando em desvantagem, e todos sabem disso.”
A Lilly anunciou na quarta-feira que suas vendas anuais ficarão entre US$ 80 bilhões e US$ 83 bilhões, superando a estimativa média de Wall Street de US$ 77,7 bilhões. A Lilly prevê lucros ajustados para 2026 na faixa de US$ 33,50 a US$ 35 por ação, em comparação com os US$ 33,08 por ação esperados pelos analistas.
A farmacêutica espera que o mercado de medicamentos para obesidade cresça ainda mais este ano, após o governo Trump concordar em cobrir os medicamentos para mais pacientes no Medicare, o programa de saúde do governo para idosos.
A Lilly também aguarda a aprovação de seu medicamento para perda de peso, que pode ser concedida já em abril. A Novo lançou um medicamento para perda de peso este ano que teve um início promissor. Nas quatro semanas desde o lançamento, mais de 170.000 pacientes tomaram o medicamento, disse o CEO da Novo, Mike Doustdar, em entrevista à Bloomberg TV na terça-feira.
A Lilly está preparada para agir rapidamente e competir. A empresa já produziu bilhões de doses de seu medicamento oral antes do lançamento. A empresa afirmou que a menor dose do medicamento, se aprovada pela FDA (Food and Drug Administration) dos EUA, custará US$ 149 por mês.
A farmacêutica também está comercializando uma nova versão multidose do Zepbound, uma estratégia que ajudou a Lilly a fechar o acordo com Trump. Anteriormente, o Zepbound estava disponível nos EUA em duas apresentações diferentes: um frasco de uso único e um autoinjetor de dose única, ambos descartáveis após cada uso. Em uma carta datada de 20 de janeiro, o FDA autorizou a Lilly a vender o Zepbound em um dispositivo que contém medicação suficiente para um mês.
O diretor financeiro da Lilly, Lucas Montarce, afirmou que a empresa planeja lançar a caneta multidose no mercado nos próximos 30 dias. O medicamento será uma opção para pacientes do Medicare assim que a cobertura estiver disponível. Montarce disse que a empresa também planeja oferecer a caneta multidose aos pacientes por meio da plataforma de venda direta ao consumidor da Lilly, onde os pacientes podem pagar pelos medicamentos em dinheiro.
O sólido portfólio de medicamentos existentes e futuros da empresa está ajudando-a a obter vantagem sobre a concorrente Novo, mesmo diante da pressão sobre os preços que afeta todo o setor, disse o analista da BMO Markets, Evan Seigerman, em um relatório.
“Embora a Lilly e a Novo atuem nos mesmos mercados, as pressões que enfrentam não são idênticas”, disse Seigerman.
O Zepbound, da Lilly, provou ser mais eficaz do que o Wegovy, da Novo, o que também ajuda a farmacêutica sediada em Indiana a obter vantagem. Em um estudo comparativo realizado no ano passado, o Zepbound ajudou os pacientes a reduzirem cerca de cinco centímetros a mais na cintura do que o Wegovy.
Medicamentos Futuros
A empresa também está testando novos medicamentos para perda de peso, potencialmente mais eficazes, para uma variedade de condições. Seu medicamento injetável de próxima geração para perda de peso, o retatrutide, por exemplo, está em fase de testes para obesidade e outras condições relacionadas, como doenças cardiovasculares e doença renal crônica. Em dezembro, a Lilly afirmou que o medicamento ajudou pacientes a perderem quase um quarto do peso corporal, tornando-o potencialmente o medicamento experimental mais potente para perda de peso até o momento.
A Lilly também iniciou novos estudos com o brenipatide — um medicamento experimental que imita os mesmos hormônios do Zepbound — para transtorno por uso de tabaco, transtorno bipolar e asma. A empresa já estava estudando o medicamento para transtorno por uso de álcool.
E enquanto a Novo está focada em diabetes e obesidade, o portfólio da Lilly abrange outras áreas de doenças, incluindo neurociência, imunologia e câncer. A empresa obteve aprovação para um novo medicamento para retardar o Alzheimer em 2024, chamado Kisunla. Ela também está estudando outro composto experimental para Alzheimer chamado remternetug, que pode apresentar resultados ainda este ano.
No quarto trimestre, as vendas do medicamento injetável para perda de peso Zepbound, da Lilly, atingiram US$ 4,3 bilhões, em comparação com as estimativas de US$ 3,8 bilhões. Seu medicamento para diabetes, Mounjaro, alcançou US$ 7,4 bilhões, em comparação com as estimativas de US$ 6,7 bilhões. O Mounjaro vem ganhando popularidade fora dos EUA, onde as receitas chegaram a US$ 3,3 bilhões.
No geral, a Lilly registrou vendas de US$ 19,3 bilhões no trimestre, superando a estimativa média dos analistas de US$ 18 bilhões. O lucro por ação da Lilly, de US$ 7,54, superou as expectativas de US$ 6,73 por ação.
A Lilly afirmou que prevê reduções globais de preços na faixa de 10% a 15% neste ano, impulsionadas, em parte, por seu acordo com o governo dos EUA para reduzir os preços dos medicamentos e pelos novos preços para pagamento à vista.
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