Legacy vê espaço para corte mais profundo da Selic e reforça posições em renda fixa

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A Legacy Capital avalia que, diante de um cenário de desaceleração da atividade econômica e inflação mais comportada, o ciclo de flexibilização monetária no Brasil tende a ser mais extenso do que o atualmente embutido nos preços de mercado.

Na carta mensal de janeiro, a gestora afirma que, embora o início dos cortes já seja amplamente esperado, o principal ponto de atenção está na magnitude do movimento ao longo dos próximos trimestres – e a casa aposta em uma Selic terminal mais baixa do que o precificado na curva de juros.

Segundo a Legacy, os dados mais recentes indicam perda gradual de fôlego da economia brasileira, ainda que fatores sazonais sigam dificultando a leitura do curto prazo. A projeção da gestora é de crescimento de 1,5% do PIB em 2026, após uma expansão estimada de 2,3% em 2025. Do lado da inflação, a avaliação é de que o ambiente permanece favorável à continuidade do afrouxamento monetário.

“Nas atuais circunstâncias, estimamos que a extensão do ciclo deva ser próxima a 400bp”, afirma a Legacy, em projeção que levaria a Selic dos atuais 15% para até 11% ao ano, bem abaixo dos cerca de 12,70% precificados na curva.

A casa ressalta ainda que esse espaço pode se ampliar caso a depreciação do dólar se intensifique, ou a “desaceleração da atividade econômica torne-se mais palpável e generalizada”.

Diante dessa leitura, a gestora voltou a elevar sua exposição à renda fixa prefixada e atrelada à inflação, por entender que o mercado ainda subestima a profundidade do ciclo.

Exterior reforça assimetria, mas não é o driver central

No cenário internacional, a Legacy avalia que a inflação mais benigna nos Estados Unidos abre espaço para novos cortes de juros ao longo de 2026, o que tende a aliviar as condições financeiras globais.

“Se estivermos corretos quanto à dinâmica da inflação, o Fomc poderá cortar adicionalmente os juros em 50bp”, afirma a gestora, acrescentando que juros mais baixos e um dólar mais fraco contribuiriam para um ambiente financeiro mais frouxo. Nesse contexto, a casa segue posicionada para um dólar mais fraco no médio prazo.

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