A Itália planeja apoiar o acordo de livre comércio com o bloco sul-americano Mercosul em uma votação que provavelmente será o último grande obstáculo para a União Europeia fechar o acordo, que está em negociação há 25 anos.
Espera-se que a Itália mude de posição e apoie o acordo quando os embaixadores da UE votarem sobre a medida em 9 de janeiro, segundo fontes familiarizadas com o assunto. Isso permitiria que a UE assinasse o tratado com os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — em 12 de janeiro.
Um porta-voz do governo italiano preferiu não comentar. Nada foi finalizado e os planos ainda podem mudar.
A UE não conseguiu finalizar o acordo de livre comércio no mês passado, após Itália e França liderarem uma campanha para adiá-lo, argumentando que ainda faltavam proteções adequadas para os agricultores europeus.
Meloni buscava garantias extras para a indústria agrícola, bem como fundos adicionais para os agricultores do orçamento do bloco, disseram as fontes, que falaram sob condição de anonimato.
“Houve discussões, trabalho e progresso nas últimas duas semanas”, disse a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, a repórteres em Bruxelas nesta segunda-feira (5). “Estamos no caminho certo para considerar a assinatura em breve, esperamos.”
No mês passado, o presidente francês Emmanuel Macron, que enfrenta pressão interna dos agricultores, argumentou que o tratado não oferecia salvaguardas adequadas. No fim de semana, o primeiro-ministro Sebastien Lecornu disse que a França planeja proibir a importação de alimentos da América do Sul ou de outros lugares que contenham pesticidas proibidos na UE.
O acordo proposto é o maior já negociado pela UE. Por mais de duas décadas, as negociações foram constantemente pausadas e retomadas enquanto autoridades tentavam atender às preocupações sobre proteções ambientais e padrões agroalimentares para o bloco Mercosul.
O pacto comercial UE-Mercosul criaria um mercado integrado de 780 milhões de consumidores, eliminando gradualmente tarifas sobre produtos, incluindo carros, e facilitando o acesso da Europa à vasta indústria agrícola do Mercosul. O acordo permitiria que ambas as regiões diversificassem suas relações comerciais, afastando-se dos EUA após a imposição de tarifas globais pelo presidente Donald Trump.
A Bloomberg Economics estimou que o acordo impulsionaria a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%. Geopoliticamente, também fortaleceria a presença da UE em uma região onde a China se tornou um importante fornecedor industrial e comprador de commodities.
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