Apesar da intensificação do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã após o ataque americano contra bases nucleares iranianas no fim de semana, e da tragédia humanitária trazida por mais uma guerra, o Morgan Stanley tem uma boa notícia para os investidores: sua visão positiva para Wall Street não mudou, ao menos por enquanto.
Em relatório publicado nesta segunda-feira (23), o banco sustenta que, apesar das preocupações de operadores com o preço do petróleo, que voltou a subir após breve recuo nesta segunda, há fatores históricos que levam a crer que o impacto pode não perdurar. Além disso, sinais da economia americana dão ensejo a um momento de recuperação.
Confira a seguir os três fatores que, na análise da casa, sustentam o otimismo com as bolsas — mesmo diante de um cenário geopolítico instável.
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1. Histórico
Historicamente, o índice S&P 500 registrou ganhos médios de 2%, 3% e 9% nos períodos de um, três e doze meses após eventos de risco geopolítico. Para que o cenário atual represente uma ameaça real ao ciclo econômico, os preços do petróleo teriam de subir mais de 75% na comparação anual — algo que, segundo os analistas, exigiria uma interrupção sustentada no fornecimento pelo Estreito de Ormuz, o que não é esperado no momento.
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“O risco está mais relacionado ao petróleo do que ao conflito em si”, apontou o relatório. Mesmo após ter subido diante da escalada do conflito, o preço do petróleo registrava variação negativa ano contra ano até semana passada, o que reduz o potencial inflacionário do choque.
2. Negócios vão bem
Além disso, a visão otimista se apoia em fundamentos econômicos. A equipe liderada por Michael Wilson projeta crescimento de dois dígitos nos lucros por ação (EPS) até o primeiro semestre de 2026, impulsionado por alavancagem operacional positiva — com as receitas crescendo mais que os custos operacionais e administrativos — e pela fraqueza do dólar, que favorece empresas com receitas internacionais, majoritárias no S&P 500.
3. Ambiente macro já foi pior
O Morgan também vê o atual contexto monetário como favorável às ações. Embora o Federal Reserve adote uma postura cautelosa, a expectativa do banco é de sete cortes de juros em 2026, com possibilidade de início já em julho deste ano, conforme sinalização recente do diretor Christopher Waller.
Onde investir: large caps e energia
A recomendação do banco segue com preferência por ações de grande capitalização, como as do S&P 500, frente às de menor porte, do Russell 2000, que são menos eficientes e mais expostas ao mercado doméstico.
A exposição setorial também foi ajustada como proteção ao atual ambiente: o banco mantém posição overweight (equivalente a compra) em energia e underweight (equivalente a venda) em bens de consumo, mitigando os efeitos de possíveis altas no petróleo.
“Salvo uma alta sustentada e significativa nos preços do petróleo, os recentes eventos não alteram nossa visão construtiva para ações nos próximos 6 a 12 meses”, conclui o relatório.
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