Estrategista da XP: Revés do governo com IOF eleva incerteza para ativos brasileiros

Um cenário de volatilidade e incerteza se desenha no curto prazo após a derrubada do decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com uma possível alta do dólar e queda da Bolsa, na avaliação de Raphael Figueredo, estrategista de renda variável da XP Inc. O analista participou do programa Morning Call da XP nesta quinta-feira (26).

“Porque como não há uma solução prática para isso [cumprimento da meta fiscal], e de um lado o Congresso derruba um decreto, mas por outro aprova um aumento no número de parlamentares, por exemplo, que seria uma elevação de despesas na ordem de R$ 94 milhões”, afirmou. O texto aprovado, por sua vez, manteve restrição sobre alta de despesas, o que visto com desconfiança dada a estrutura necessária para comportar o maior número de deputados.

“Ou seja, de um lado ele preza por uma economia, por uma eficiência do Estado, mas de outro, olhando para si, acaba querendo aumentar despesas. E isso, eu acho, pode criar um cenário em que todo mundo rema para um lado e a gente não encontra uma solução. Então, sob a ótica de investimentos, é ruim. Isso pode fazer com que haja um aumento do nível de incerteza, volatilidade e levar à queda das bolsas — como foi ontem — e à alta do dólar”, completou. A sessão desta quinta é de alta para os ativos brasileiros, com avanço da Bolsa e queda do dólar, mas a véspera foi de avanço da divisa americana e de queda de cerca de 1% do Ibovespa.

Na quarta-feira (25), Senado e Câmara aprovaram o projeto de decreto legislativo que revoga o aumento do IOF instituído pelo governo federal. Com a decisão, voltam a valer as alíquotas anteriores para operações como câmbio, cartões internacionais e crédito empresarial.

Em resposta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo avalia três caminhos: acionar a Justiça, buscar nova fonte de receita ou promover cortes no Orçamento. A escolha caberá ao presidente Lula, mas Haddad sinalizou que o Executivo considera a medida inconstitucional, com base em pareceres da AGU e da PGFN.

No caso de judicialização, Figueredo prevê um aumento de prêmio e de incerteza. “Isso é ruim”, destaca. “E parte da queda do mercado de ontem tem a ver com isso. Se vai derrubar, então da onde o governo vai arrumar, de acordo com a equipe econômica, os R$ 20 bilhões para cumprir a meta fiscal? Vai cumprir a meta fiscal? Qual é a alternativa que o governo vai tirar?”

Por fim, olhando para cortes no Orçamento, o analista avalia ser improvável um corte de gastos que envolva todas as esferas do governo.

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