O JPMorgan avalia que, se o Bradesco (BBDC4) tivesse capitalizado os dividendos pagos entre 2021 e 2024, o patrimônio líquido tangível do banco poderia ser hoje mais de 2,5 vezes maior.
Em um exercício hipotético, os analistas estimam que a retenção de R$ 36 bilhões em dividendos elevaria o patrimônio tangível de cerca de R$ 34 bilhões para aproximadamente R$ 88 bilhões, além de acelerar a utilização de ativos fiscais diferidos (DTA), créditos tributários acumulados pelo banco que só podem ser aproveitados à medida que a instituição gera lucro tributável.
Por volta das 11h17, ações do banco recuavam 0,96%, a R$ 18,66.
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Segundo o banco, isso poderia gerar cerca de R$ 2 bilhões adicionais em margem financeira líquida em 2025, elevar o índice de capital principal (CET1) para 15,1% e levar o lucro líquido do ano a se aproximar de R$ 30 bilhões, ante a projeção atual de R$ 24,6 bilhões, sem diluição relevante do ROE.
Para o JPMorgan, o elevado estoque de DTA segue sendo um peso para a rentabilidade, mas pode se tornar um vetor positivo caso o Bradesco avance de forma gradual em sua ativação.
Ciclo virtuoso
Segundo o instituição financeira, a diferença estimada de retorno sobre o patrimônio (ROE) em relação ao Itaú (ITUB4) é de cerca de 500 pontos-base, e o DTA pode se tornar, ao longo do tempo, também um fator negativo para o capital. Ainda assim, os analistas avaliam que a recapitalização de dividendos poderia ajudar a reverter esse quadro.
A lógica é que uma base maior de patrimônio tangível elevaria a receita financeira, acelerando a utilização dos DTAs, o que, por sua vez, geraria ainda mais receita financeira — dando início a um ciclo virtuoso.
Atualmente, o Bradesco negocia a cerca de 1,2 vez o valor patrimonial (P/BV) e 7,0 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L), com o JPMorgan projetando lucro líquido de R$ 28,2 bilhões em 2026. Para o banco, o DTA é hoje um fator negativo, mas pode se transformar em um vetor positivo caso a instituição avance gradualmente em sua ativação.
O JPMorgan considera que o capital adicional renderia, em média, a Selic do período, descontando PIS/Cofins e ajustando a carga tributária. A alíquota de imposto retido sobre JCP foi fixada em 15%, desconsiderando o aumento recente para 17,5% nos próximos anos. A partir disso, o banco estima como o estoque bruto de DTA, hoje em cerca de R$ 119 bilhões, seria consumido, impulsionando o crescimento do patrimônio tangível e da receita financeira.
Impactos
No que diz respeito ao lucro, o JPMorgan estima que o resultado de 2025 poderia se aproximar de R$ 30 bilhões, considerando: (i) a remuneração do capital retido pela Selic média; (ii) ganhos incrementais decorrentes do maior lucro; (iii) maior margem financeira (NII) com a ativação do DTA; e (iv) impactos tributários, incluindo PIS/Cofins. Apesar do avanço do lucro, o ROE permaneceria relativamente estável, já que o aumento seria compensado por uma base de patrimônio maior, que poderia superar R$ 210 bilhões, frente aos cerca de R$ 170 bilhões atuais.
Sobre a alocação de capital, o JPMorgan reconhece que um argumento comum contra a capitalização de dividendos é que os próprios investidores poderiam reinvestir esses recursos de forma mais eficiente.
Ainda assim, os analistas avaliam que, dadas as vantagens fiscais do JCP, a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) elevada e o efeito positivo da ativação do DTA, a estratégia seria positiva em termos de valor presente líquido (VPL). O principal desafio estaria na execução e na comunicação com os investidores. Uma alternativa intermediária seria o adiamento dos pagamentos, prática já observada no banco — como no caso do JCP de R$ 3,9 bilhões declarado em 18 de dezembro de 2025, com pagamento previsto apenas para 31 de julho de 2026.
Por fim, o JPMorgan destaca que a capitalização de dividendos elevaria significativamente a base de capital do Bradesco. O CET1 poderia alcançar 15,1%, ante os atuais 11,4%. Embora esse nível possa parecer elevado, faria sentido diante da maior ativação de DTA e ofereceria uma margem de segurança relevante para a implementação de novas exigências regulatórias, como o risco operacional e a Resolução 4.966.
Apesar desses desafios, o banco tem mantido o CET1 em torno de 11% nos últimos anos, com crescimento modesto dos ativos ponderados pelo risco (RWA) e ROE contábil entre 10% e 15%. O foco central do relatório, contudo, é apresentar um arcabouço que permita uma ativação mais rápida e eficiente dos DTAs.
O JPMorgan manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 19 para as ações BBDC4.
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