Desde que Michael Platt decidiu abandonar clientes e operar apenas com o próprio dinheiro, há uma década, uma série de apostas altamente alavancadas o transformou em um dos bilionários de hedge funds mais ricos do mundo.
A gestora privada de Platt, a BlueCrest Capital Management, registrou ganho de 73% no ano passado, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto, que pediu para não ser identificada porque os detalhes não são públicos.
Parte dos ganhos recentes veio nos primeiros meses de 2025, quando anúncios de tarifas do presidente Donald Trump provocaram forte turbulência nos mercados.
Com isso, os retornos desde 2016 chegaram a uma estimativa de 7.858%, de acordo com um cálculo baseado nos dados divulgados pela Bloomberg sobre os retornos anuais da BlueCrest. O número considera juros compostos e parte da premissa de que nenhum capital foi retirado da empresa ao longo dos anos.
Itaú BBA afasta risco de bear market e aposta em 4 criptomoedas para o início de 2026
Banco destaca melhora técnica em dezembro e diz que preços se afastaram de níveis críticos
Fundos de ações fecham 2025 com resgates de R$ 54,5 bilhões, apesar da alta da Bolsa
Dados mostram alívio nos resgates em dezembro, mas saídas expressivas no acumulado do ano; multimercados seguiram toada similar
O volume de capital que a BlueCrest investe para Platt e seus sócios segue desconhecido. Um documento judicial de 2022, porém, descreveu a empresa como responsável por cerca de US$ 3,9 bilhões, alavancados para oferecer US$ 15 bilhões em poder de negociação a seus gestores. Diferentemente dos hedge funds tradicionais, que calculam ganhos sobre o total de ativos sob gestão, os retornos da BlueCrest são medidos sobre o capital investido e já descontam taxas e despesas.
O histórico da BlueCrest oferece uma rara visão de como gestores podem se sair quando eliminam as restrições impostas por capital externo. No caso de Platt, devolver aproximadamente US$ 7 bilhões a clientes permitiu usar intensamente o balanço do fundo, manter posições concentradas em períodos de volatilidade e evitar as pressões de curto prazo relacionadas a resgates e divulgações.
Nasce uma lenda
A fortuna de Platt, estimada em US$ 12,8 bilhões pelo Bloomberg Billionaires Index antes dos resultados mais recentes da BlueCrest, disparou após sucessivos ganhos de dois dígitos, incluindo um retorno de 153% em 2022. Nos anos anteriores à mudança para capital próprio, vários fundos da BlueCrest registravam prejuízos ou avanços modestos.
“Livre das restrições de liquidez, alavancagem e drawdown impostas por clientes, a BlueCrest conseguiu explorar distorções macroeconômicas com um grau de tamanho e paciência que poucas instituições toleram”, afirmou Bruno Schneller, sócio-gestor do multifamily office Erlen Capital Management. “É um lembrete de que os maiores retornos em macro geralmente surgem onde a governança interna é rigorosa, mas a prestação de contas não passa pelos clientes.”
Embora a estratégia exata de negociação da BlueCrest seja conhecida apenas por um pequeno grupo de insiders, a empresa é especializada em juros e mercados emergentes e tentou desenvolver um braço de commodities. Assim como os grandes hedge funds multiestratégia (similar aos multimercados do Brasil), a gestora distribui recursos entre várias equipes de traders, mantendo controle rigoroso de risco e baixa tolerância a perdas.
A empresa opera em Londres, Nova York e Cingapura e recentemente obteve autorização regulatória completa em Dubai.
Platt, filho de uma professora e de um administrador universitário, ingressou no setor de hedge funds em 2000, ao fundar a BlueCrest ao lado do também trader William Reeves. Antes disso, passou quase uma década no JPMorgan, onde começou negociando swaps de juros na mesa de derivativos e chegou ao cargo de diretor de operações proprietárias.
Ele transformou a BlueCrest em um dos maiores hedge funds da Europa, com mais de US$ 37 bilhões sob gestão em seu pico. A empresa gerou mais de US$ 22 bilhões em lucros de trading para investidores nos 15 anos em que administrou recursos de clientes, desempenho que a coloca entre os hedge funds mais bem-sucedidos do mundo em termos de lucro acumulado desde o lançamento.
No entanto, alguns anos de retornos medianos levaram a resgates de investidores, enquanto cresceram preocupações sobre um fundo interno voltado a funcionários, que poderia representar conflito de interesses. Em dezembro de 2015, a empresa informou que devolveria o dinheiro dos clientes — cerca de US$ 7 bilhões dos US$ 8 bilhões que administrava — e passaria a operar com altos níveis de capital tomado emprestado.
©️2026 Bloomberg L.P.
The post Esse gestor decidiu operar com o próprio dinheiro — e o multiplicou por 8.000% appeared first on InfoMoney.
