Muitos pedidos anunciados, mas qual foi o saldo da feira de aviação Paris Air Show para a Embraer?
De acordo com análise do BTG Pactual, de um modo geral, o evento consolidou a força da Embraer com encomendas relevantes em todas as divisões (Comercial, Defesa e Eve), reforçando o backlog (carteira de pedidos) em nível recorde.
Na visão dos analistas, apesar de um volume geral inferior a 2023, em razão de uma base comparável difícil e ausência da Boeing, a Embraer foi muito bem, especialmente na área de Defesa, com novos contratos do KC-390 para Portugal, Holanda e Lituânia.
“A perda do contrato da LOT foi uma decepção, mas a encomenda da SkyWest (60 aviões E175) nos EUA compensou, sendo seu mercado mais lucrativo”, apontou.
A Embraer segue ativa em campanhas do E2 na América do Sul, Europa, Ásia e África. Na Eve, novos pedidos superaram 100 unidades. A divisão de Serviços também firmou diversos contratos. “Acreditamos que o momento da companhia se manterá forte no 2T25, com potencial geração adicional de fluxo de caixa livre”, apontou.
O JPMorgan apontou que, incluindo todos os pedidos de aeronaves anunciados nos segmentos comercial e de defesa, estima que a carteira de pedidos da Embraer esteja agora em pelo menos US$ 30,7 bilhões, contra o nível reportado de US$ 26,4 bilhões no 1T25.
Confira abaixo um resumo dos pedidos no evento, conforme aponta o BTG:
Dia 1
(1) Novo contrato do KC-390 com Portugal
O governo português optou por adquirir uma sexta aeronave KC-390 Millennium. Em agosto de 2019, o mesmo governo e a Embraer assinaram contrato para a compra de cinco KC-390.
A Embraer e a Força Aérea Portuguesa também planejam incluir dez opções de compra no contrato atual para futuras aquisições por nações europeias ou membros da OTAN, via negociações governo a governo. O backlog firme de pedidos de KC-390 da Embraer está em 32 unidades. “Caso as 10 opções do governo português se convertam em pedidos firmes, a Embraer estará próxima de alcançar sua meta de produção de 10 unidades anuais até 2030, considerando uma unidade incremental entregue a cada ano.
Se todas as opções forem convertidas em pedidos, este se tornará o segundo maior contrato do KC-390, atrás apenas do pedido inicial da Força Aérea Brasileira”, destacou a equipe de análise.
(2) Acordo da Eve com a Revo
A Eve, subsidiária da Embraer focada no desenvolvimento de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOLs), firmou seu primeiro acordo vinculante com a Revo, operadora de mobilidade aérea urbana (UAM) com sede em São Paulo, e sua controladora Omni Helicopters International S.A. O acordo estabelece a estrutura para a compra de até 50 aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), além de serviços de entrada em serviço e pós-venda.
Dia 2
(1) Acordo com Países Baixos
Embraer e os Países Baixos assinaram contrato para entrega de um sistema de evacuação aeromédica atualizado à frota C-390 Millennium da Força Aérea Real dos Países Baixos. O contrato abrange um pedido firme e sete ordens de compra
Dia 3
(1) Pedido de E175 junto à SkyWest
Foi anunciado um pedido firme de 60 aeronaves E175 (E1), além de 50 opções de compra adicionais. Esse pedido está avaliado em US$ 3,6 bilhões (preços de tabela) e será incorporado ao backlog comercial do 2º trimestre, gerando fluxos de caixa de pré-entrega antes do guidance para 2025. As entregas têm início previsto para 2027. A SkyWest já opera uma frota de 212 E-Jets e mantém 16 aeronaves em backlog.
(2) Lituânia escolhe o C-390 Millennium
A Lituânia anunciou a seleção do C-390 Millennium como sua nova aeronave de transporte militar de geração futura. Três unidades são adquiridas, reforçando a prontidão operacional e a interoperabilidade com outros membros da OTAN. O acordo inclui cooperação industrial para serviços de MRO, coprodução de peças e parcerias com instituições de pesquisa.
(3) Novo contrato de mais de 50 eVTOLs
A Eve assinou carta de intenções com a Future Flight Global para até 54 aeronaves eVTOL, com foco nos mercados brasileiro e americano. Essa LOI amplia o backlog da Eve, que já conta com cartas de intenção de companhias globais, regionais e de mobilidade urbana.
(4) Airlink vai arrendar 10 E195-E2 da Azorra
Foi anunciado acordo para leasing de 10 novas aeronaves E195-E2 da Azorra, complementando sua frota de 68 unidades. As entregas estão previstas entre este ano e 2027, saindo das instalações da Embraer no Brasil.
(4) Contrato de pool de componentes com a Virgin Australia
Embraer e Virgin Australia fecharam acordo plurianual para o Component Pool Program, oferecendo trocas de peças e serviços de reparo para os oito E190-E2 que entrarão em operação na frota.
(5) Contrato de componentes com a Hunnu Air
A Embraer assinou um contrato plurianual com a Hunnu Air, garantindo suporte a diversos componentes reparáveis para suas duas unidades de E195-E2.
(6) Acordo de serviços com a Amelia
Embraer e Amelia, do grupo francês Regourd Aviation, firmaram parceria para o Pool Program da família E-Jets e oferecem suporte abrangente às aeronaves da Embraer e E-Jets em sua frota.
(7) Parceria com a Air Montenegro
Air Montenegro adicionou um terceiro E195 à sua frota e celebrou contrato plurianual de pool program com a Embraer, cobrindo as três aeronaves da família E195 sob sua operação.
(8) Contrato de conversão P2F para e-freighter com a Bridges Air Cargo
A Embraer anunciou, em parceria com a lessora Regional One, que a Bridges Air Cargo será cliente de lançamento da conversão da modalidade de passageiros para aviões de carga E-Freighter E190F. A primeira das duas conversões deve entrar em operação no 3º trimestre de 2025.
(9) Expansão de parceria com a Regional One
Embraer ampliou seu acordo com a Regional One, Inc. ao incluir mais duas conversões P2F, dobrando seu pedido original de duas unidades.
(10) Novo simulador de voo completo em Madrid para clientes E2
Embraer e CAE implantaram no centro de treinamento CAE Madrid, próximo ao Aeroporto Adolfo Suárez Madrid–Barajas, um simulador full-flight de última geração para a família E2. Operado pela Embraer CAE Training Services, será o primeiro FFS dedicado aos E2 na região EMEA.
As ações ainda estão atrativas?
Com alta de 95% em doze meses, a questão se as ações da Embraer ainda tem espaço para subir na Bolsa segue no radar.
Com relação aos papéis EMBR3, conforme compilação da Reuters com analistas, há 4 recomendações de compra, 1 de manutenção e 1 de venda. Já para os ADRs (papéis da companhia negociados na Bolsa de Nova York) há 10 recomendações de compra, 2 neutras e 1 de venda.
A XP Investimentos tem recomendação neutra para os ativos, destacando os múltiplos esticados da companhia. Em conversa recente com investidores após uma rodada de reuniões nos EUA, a XP destacou que, embora pareça concordar com a visão da casa de que os níveis de valuation são exigentes, um momentum forte e contínuo de pedidos tem sido frequentemente mencionado como um risco de alta para as ações, ofuscando as discussões de valuation.
O BTG, por sua vez, segue com recomendação de compra, assim como o JPMorgan. O banco americano permanece em posição de destaque na Embraer devido ao bom momento nos segmentos comercial e de defesa e ainda espera que novos pedidos sejam anunciados durante o segundo semestre.
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