O começo desta semana já foi marcado pelas expectativas para a Embraer (EMBR3) levando em conta o Paris Air Show, evento da indústria da aviação que começa no próximo dia 16 e vai até o próximo dia 22.
Em relatório, o JPMorgan afirmou estar com expectativas positivas para o evento em relação à Embraer, dado o potencial anúncio de novos pedidos nos segmentos comercial e de defesa.
As ações subiram mais de 4% na segunda-feira (9), isso após o próprio JPMorgan destacar que a reação recente dos preços mostrava até então pouco entusiasmo com o Paris Air Show em comparação aos anos anteriores.
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O ADR (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) da Embraer entrou na semana anterior ao Paris Air Show com a ação em alta de apenas 1%, provavelmente impactado pelo pedido de recuperação judicial da Azul (AZUL4) e pelo fluxo de notícias sobre a Alaska Airlines, que pode atrasar o recebimento de aeronaves. No ano passado, à frente de Farnborough, o ADR ERJ havia apresentado um desempenho positivo de +14% no mesmo período.
Para o Paris Air Show, em um cenário otimista, os analistas do banco americano estimam que os novos pedidos podem chegar a US$ 5,9 bilhões no segmento comercial e até US$ 720 milhões no segmento de defesa, considerando anúncios, mas não necessariamente pedidos assinados.
O banco também pondera ser importante ter em mente que no ano passado, durante o Farnborough Air Show, não houve pedidos relevantes na aviação comercial, com a Embraer anunciando alguns contratos de serviço, a venda de 7 Super Tucanos e confirmando a venda de 9 aeronaves C-390 (4 para a Áustria e 5 para a Holanda).
Com base no múltiplo EV (valor da firma)/backlog (carteira de pedidos) atual da empresa de 0,34 vez, cada US$ 500 milhões em novos pedidos representaria um aumento de cerca de 2% no preço das ações, pelas suas estimativas.
O JPMorgan vê a Embraer sendo negociada a 7,4 vezes o múltiplo de EV/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) esperado para 2026, contra o múltiplo de a Boeing a 22,9 vezes e a Airbus a 10,5 vezes.
Primeiros sinais
Alguns sinais já foram dados sobre o que esperar para a feira aérea em Paris. De acordo com a Bloomberg, a aérea de baixo custo AirAsia está prestes a encomendar cerca de 100 jatos regionais, com a empresa malaia ainda indecisa entre o Airbus SE A220 ou o E2 da Embraer.
Até o momento, a Airbus forneceu todos os jatos da AirAsia, dando à fabricante europeia uma vantagem de incumbente na competição. A companhia aérea possui 240 aeronaves, em sua maioria de corredor único, e um backlog de mais de 350 pedidos para a família de jatos A320, a mais vendida.
Para o Bradesco BBI, supondo que os 100 pedidos sejam para aeronaves Embraer E2, a preço de tabela, isso resultaria em US$ 8,4 bilhões adicionais ao backlog (crescimento de 32% com base na carteira de pedidos do 1T25). No entanto, considerando que a AirAsia já opera uma frota de aeronaves Airbus, a Airbus pode ser mais competitiva.
O JPMorgan também tem cálculos de que esse pedido pode chegar a cerca de US$ 8 bilhões, levando a um aumento de 30% na carteira de pedidos agregada da Embraer, atualmente em US$ 26,4 bilhões.
O artigo afirma que o financiamento seria um requisito fundamental para a decisão final da AirAsia. Vale ressaltar que a Airbus é atualmente a principal fornecedora da AirAsia, que atualmente opera cerca de 225 aeronaves e tem um pedido de cerca de 350 jatos A320. “Vemos esta notícia como positiva para a Embraer, embora seja difícil estimar uma probabilidade de sucesso nesta transação”, aponta o JPMorgan.
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