Dólar ultrapassa R$ 5,70 com ruídos políticos, IOF em xeque e cautela fiscal no radar

dólar

Sob pressão, o dólar voltou a disparar nesta quarta-feira (28) e já é negociado, por volta das 13h35 (horário de Brasília), a R$ 5,714, alta de 1,23%. A nova valorização da moeda norte-americana ocorre em meio a tensões políticas, ruídos fiscais e expectativas por dados econômicos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

A percepção de fraqueza na articulação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, combinada à possibilidade de o Congresso reverter o recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tem levado investidores a adotarem uma postura mais cautelosa frente ao real.

No centro das preocupações está a sustentação das contas públicas. A elevação do IOF, promovida pela Fazenda para reforçar a arrecadação, provocou forte reação do setor financeiro. Após reunião com representantes de bancos, o secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, disse que o governo está atento às demandas do mercado e que irá avaliar alternativas à medida.

“Eles trouxeram como isso impacta as operações do mercado de crédito brasileiro de maneira legítima. A gente está sensível, aberto a esse diálogo”, afirmou Durigan à imprensa. Ele afirmou ainda que a equipe fará uma análise cuidadosa e rápida sobre o que seria mais adequado para o país.

A possível revisão da medida alimenta incertezas entre agentes financeiros. A dúvida sobre a permanência do aumento do IOF ocorre em um momento em que o mercado já vinha observando um certo esvaziamento da autoridade política do ministro Haddad dentro do governo. A combinação de fatores cria receios quanto ao controle fiscal e aumenta a aversão ao risco no Brasil, provocando uma nova rodada de valorização do dólar.

Indicadores

Do lado dos indicadores, investidores aguardam os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que podem trazer pistas sobre a evolução do mercado de trabalho brasileiro. A expectativa gira em torno de um número mais forte que o previsto, o que pode influenciar os rumos da política monetária. Também está prevista para hoje a divulgação do relatório mensal da dívida pública, referente a abril, que deve fornecer mais pistas sobre a trajetória fiscal do país.

No plano internacional, os olhos se voltam para a ata do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O documento trará os detalhes da decisão que manteve os juros estáveis na última reunião e pode sinalizar os próximos passos da autoridade monetária. A expectativa é de que o conteúdo dê pistas sobre o possível início do ciclo de cortes de juros no país, o que tende a influenciar o comportamento do dólar globalmente.

Na véspera, o dólar havia recuado 0,53% e encerrado o dia cotado a R$ 5,645, movimento atribuído à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) abaixo do esperado para maio. O dado reforçou a leitura de que o Banco Central brasileiro poderá encerrar a elevação da taxa Selic, atualmente em 14,75%, o que gerou algum alívio momentâneo no câmbio. O problema é que as preocupações fiscais e políticas internas voltaram a predominar no pregão seguinte.

The post Dólar ultrapassa R$ 5,70 com ruídos políticos, IOF em xeque e cautela fiscal no radar appeared first on InfoMoney.

Scroll to Top