O dólar fechou a terça-feira em queda ante o real, pela segunda sessão consecutiva e na contramão do exterior, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçar a intenção do governo de apresentar novas medidas na área fiscal, revendo o decreto de aumento do IOF.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira, 3, que houve um alinhamento entre Executivo e Legislativo para dar um passo mais ousado no encaminhamento das medidas que serão uma alternativa ao decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Dólar Hoje: Confira a cotação e fechamento diário do dólar comercial
Qual a cotação do dólar hoje?
A moeda norte-americana à vista fechou em baixa de 0,65%, aos R$5,6373. No ano, a divisa dos EUA acumula perdas de 8,77% ante o real.
Às 17h03 na B3 o dólar para julho — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,77%, aos R$5,6695.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,637
- Venda: R$ 5,637
Dólar turismo
- Venda: R$ 5,733
- Compra: R$ 5,913
O que aconteceu com dólar hoje?
O mercado nacional segue atento às discussões em torno do impasse sobre o IOF, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vem se reunindo com os líderes do Congresso para negociar novas propostas a fim de alcançar a meta fiscal após os parlamentares reagirem negativamente ao decreto do governo.
Nesta terça, falando em coletiva de imprensa, Lula respaldou as negociações entre Haddad e os parlamentares, ressaltando que o ministro esteve desde o início disposto a discutir alterações à medida anunciada no mês passado.
“Em nenhum momento o companheiro Haddad teve qualquer problema de rediscutir o assunto”, disse Lula na coletiva. “A apresentação do IOF foi o que eles pensaram naquele instante. Aí se aparece alguém com ideia melhor e ele topa discutir, vamos discutir.”
Segundo Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital, as falas de Lula fornecem um sinal positivo de que o governo não vai pressionar por manter o decreto do IOF e de que está disposto em recuar para se alinhar com os interesses do Congresso.
“Melhora a percepção de interlocução do Congresso com o governo. Essa percepção tinha se deteriorado com o jeito estabanado que ocorreu o anúncio do IOF. Além disso, parece que, ao invés de judicializar a questão, que era um caminho possível, estão trabalhando para um caminho alternativo”, afirmou.
O ministro afirmou que as medidas encontram respaldo dos comandos da Câmara dos Deputados e do Senado, ressaltando que a decisão sobre o tema deve ser levada a público “em algumas horas”.
Durante a coletiva de Lula, o dólar devolveu os ganhos que vinha acumulando durante a manhã, ao acompanhar o avanço da divisa norte-americana no exterior, e passou a cair ante o real, com os investidores digerindo bem os comentários de Lula sobre a questão do IOF.
A moeda dos Estados Unidos tinha atingido a maior cotação do dia, a R$5,7094 (+0,62%), às 9h55.
No exterior, a política comercial dos EUA voltou a ocupar as atenções dos mercados depois que o presidente Donald Trump anunciou plano para dobrar as tarifas sobre aço e alumínio importados para 50% e acusou a China de violar um entendimento alcançado pelos dois países no mês anterior.
Analistas e investidores temem que as tarifas de Trump provoquem maiores danos justamente na economia norte-americana, o que, junto das incertezas sobre a política comercial, tem provocado uma abandono de ativos dos EUA, sendo o dólar o mais prejudicado desse processo.
A expectativa sobre a questão está voltada para quarta-feira, quando as tarifas mais altas estão previstas para entrar em vigor e encerra o prazo que o governo dos EUA forneceu aos parceiros para apresentarem suas melhores propostas de acordos comerciais.
O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,63%, a 99,207.
(Com Reuters)
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