Deterioração do fiscal é ‘lenta e contínua’ e Lula 4 não é ‘precipício’, diz Jakurski

André Jakurski, sócio-fundador da JGP (Foto; Nando Lima)

O investidor local fala de eleições há meses, mas o tema definitivamente não está na pauta do estrangeiro – ao menos não por enquanto, o que ajuda a explicar os seguidos ralis do Ibovespa e do real frente ao dólar. A leitura é do gestor André Jakurski, sócio-fundador da JGP.

Segundo ele, um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é visto pelo investidor estrangeiro como um cenário disruptivo e, no momento, o mercado brasileiro seguirá sendo guiado essencialmente pelo fluxo de capital externo, e não pelo risco eleitoral.

“Se o Lula for reeleito, é o quarto mandato dele. É algo conhecido, não é uma mudança abrupta”, disse Jakurski nesta terça-feira (10), em evento promovido pelo BTG Pactual em São Paulo. Para ele, diferentemente de episódios anteriores, uma eventual reeleição de Lula não trará fuga expressiva de capitais nem choque cambial relevante. “A deterioração do Brasil é lenta, mas contínua. Não tem esse risco de cair do precipício, é um plano inclinado.”

“No Brasil, a regra número um é: o que o gringo está fazendo? Se o dinheiro está entrando, compra”, afirmou. Ele destacou que os mercados tendem a reagir a uma variável por vez, e, neste momento, essa variável é o fluxo positivo de recursos externos.

Segundo Jakurski, outro ponto que joga a favor do Brasil é percepção diferente entre locais e estrangeiros na avaliação da bolsa, devido à diferença de custo de oportunidade – lá fora o dinheiro é muito mais barato do que aqui.

“Do ponto de vista do brasileiro, a bolsa está extremamente cara. Do ponto de vista do estrangeiro, que tem um custo de oportunidade totalmente diferente, a bolsa pode não estar cara ou pode até ficar mais cara”, disse.

Eleição ainda fora do radar

Jakurski afirmou que o risco eleitoral deve ganhar peso apenas mais adiante. “Quando arrefecer esse risco frenético de entrada de dinheiro no Brasil, a bolsa também vai diminuir o risco. Mais perto da eleição, o mercado vai se preocupar com a eleição. Por enquanto, não está pensando nisso”, disse.

Na mesma linha, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, que participou do mesmo evento, afirmou não enxergar um cenário de ruptura abrupta no resultado eleitoral. “Eu não vejo um ‘sudden stop’, não vejo que no dia seguinte o câmbio exploda”, disse. Para ele, o mercado trabalha com a hipótese de uma piora gradual. “Não como foi em 2002, quando as pessoas partiram para se proteger.”

Xavier afirmou ainda que, com a eleição sendo vista hoje como um evento de probabilidade equilibrada, investidores tendem a permanecer posicionados. “Eu não acho que as pessoas vão se retirar dos mercados antes de saber o resultado da eleição”, afirmou.

Luis Stuhlberger, fundador da Verde, também parcipou da conversa e repetiu o que já vem dizendo sobre o risco de dar o benefício da dúvida a Lula para um eventual quarto mandato, diante do desafio na parte fiscal.

“A ideia de que o ‘day after’ seria caótico provavelmente é equivocada”, falou. “[Mas] desta vez, partimos de uma dívida mais alta, com juros mais elevados e carga tributária recorde”, alertou.

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