O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a Nova York na noite deste sábado (4) para responder a acusações de tráfico de drogas e armas, poucas horas depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que os EUA o capturaram e pretendem “administrar o país”.

A operação militar americana na Venezuela foi o desfecho de uma campanha de meses da administração Trump para derrubar o líder autoritário. Nos EUA, a ação gerou tanto protestos contra a intervenção militar quanto celebrações entre venezuelanos migrantes pela queda de Maduro.
Leia mais: InfoMoney faz live especial para analisar impactos nos mercados de ação na Venezuela
O que aconteceu?

Os Estados Unidos realizaram um “ataque em grande escala contra a Venezuela”, no qual Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados, afirmou Trump. O general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, disse que Trump ordenou a operação na noite de sexta-feira. A missão envolveu 150 aeronaves que neutralizaram as defesas aéreas venezuelanas para que helicópteros militares pudessem levar tropas a Caracas.
A operação durou cerca de duas horas e 20 minutos e continuou até o início do sábado, quando Maduro e Flores “se renderam”, disse Caine. Segundo Trump, as forças americanas enfrentaram resistência significativa. Pelo menos 80 pessoas morreram, entre civis e militares, conforme relatos preliminares de um alto funcionário venezuelano.
Nenhum americano foi morto, afirmou Trump. Dois oficiais americanos disseram que cerca de seis soldados ficaram feridos.
Trump tinha autoridade para capturar Maduro?

O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que não foi possível informar o Congresso americano antes do ataque. Ele e Trump classificaram a missão como uma operação de aplicação da lei, e não uma ação militar, o que exigiria maior supervisão do Congresso.
Trump minimizou as preocupações sobre a constitucionalidade da ação, dizendo que os democratas deveriam elogiar o esforço, e não questioná-lo.
O democrata Jim Himes, do Comitê de Inteligência da Câmara, pediu que a administração justificasse legalmente a operação e apresentasse um plano para a região.
Quem está no comando da Venezuela agora?

O ministro da Defesa venezuelano, Vladímir Padrino López, afirmou que o governo de Maduro ainda está no poder e que o Exército garantirá a governabilidade do país.
A vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina em uma cerimônia secreta no sábado, segundo fontes próximas ao governo. O Supremo Tribunal da Venezuela reconheceu Rodríguez como presidente interina.
Trump disse que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela até que ocorra uma transição, mas não detalhou como isso será feito, focando principalmente nos interesses americanos na exploração do petróleo venezuelano.
Rubio afirmou que os EUA manterão uma “quarentena” para impedir a entrada e saída de petroleiros sancionados e manter “influência” sobre o país.
Rodríguez, por sua vez, repudiou a intervenção americana, afirmando que Maduro continua sendo o presidente legítimo da Venezuela.
O que acontecerá com Maduro?

Maduro e Flores “logo enfrentarão toda a força da justiça americana”, disse a procuradora-geral Pam Bondi.
Eles chegaram a Nova York no sábado para responder às acusações de tráfico de drogas. Maduro foi levado ao Centro de Detenção Metropolitana no Brooklyn.
Uma foto divulgada por Trump mostra Maduro algemado, usando máscara preta e fones de ouvido.
A denúncia contra ele inclui conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de metralhadoras, crimes que podem resultar em longas penas de prisão.
A acusação é semelhante à apresentada em 2020, que o vinculava ao Cartel de los Soles, uma suposta organização de tráfico ligada a oficiais militares venezuelanos. Embora o cartel não exista como uma organização formal, o termo é usado para descrever o envolvimento de altos militares no tráfico, sem provas públicas de que Maduro dirigia a operação.
c.2026 The New York Times Company
The post Desligou no feriado? Veja tudo que você precisa saber da captura de Maduro pelos EUA appeared first on InfoMoney.
