As ofertas de debêntures incentivadas, isentas de imposto de renda para pessoas físicas (Lei 12.431), bateram recorde e atingiram R$ 150,7 bilhões no ano até novembro, valor que já supera os R$ 135,1 bilhões de todo o ano passado, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima.
Apenas em novembro, as empresas captaram R$ 17,4 bilhões, o terceiro maior volume mensal de 2025, atrás apenas de outubro e março, quando as ofertas superaram R$ 19 bilhões, e 105,6% mais que no mesmo mês de 2024.
As emissões totais de debêntures, com e sem benefício fiscal, atingiram R$ 433,0 bilhões entre janeiro e novembro, valor também recorde, com aumento de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Anbima. As debêntures incentivadas representaram 34,8% do total emitido no ano em debêntures.
O rendimento médio das debêntures, medido pelo Índice de Debêntures Anbima, está em 14,86% no ano até novembro.
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Receio do fim da isenção
O crescimento da oferta das debêntures incentivadas coincidiu com as discussões sobre o fim da isenção para os papéis, juntamente com as Letras de Crédito Imobiliário, as LCIs, e do Agronegócio, as LCAs. Em junho deste ano, a Medida Provisória 1.303 chegou a incluir uma alíquota de 5% sobre esses investimentos a partir de 2026 como forma de substituir o aumento do IOF proposto pelo governo e melhorar a arrecadação federal.
A tributação acabou barrada no Congresso, mas a discussão provocou uma corrida de investidores e de empresas para fazer emissões antes da possível aprovação do imposto.
Setor de transporte e logística lidera
Segundo a Anbima, os setores de transporte e logística e de energia elétrica concentraram os maiores números de emissões de papéis incentivados, com 34,2% e 33,7% do total no ano. Saneamento representou 9,8% e TI e Telecomunicações, 4,9%.
Para Cristiano Cury, coordenador da Comissão de Renda Fixa da Anbima, é interessante notar como o setor de transporte e logística vem ganhando espaço nas emissões e já está em um patamar semelhante ao de energia elétrica, impulsionado pelos programas de concessões. “É mais um aspecto a ser observado em um ano com resultados robustos em que a relevância do instrumento mais uma vez ficou evidente”, afirma.
Prazo médio maior
O prazo médio de vencimento dos papéis incentivados supera o das debêntures tradicionais e chegou a 12,9 anos, mais que o dobro dos 5,7 anos dos títulos sem benefício fiscal no mesmo período. Com isso, a média geral dos prazos de debêntures está agora em 8,2 anos.
Pessoas físicas ficam com 6,9%
Os maiores compradores das debêntures incentivadas foram fundos de investimentos, com participação de 33,3% do total emitido, ou R$ 45,9 bilhões de janeiro a novembro, bem acima dos R$ 35,8 bilhões do ano todo de 2024.
As pessoas físicas ficaram com R$ 9,5 bilhões, ou 6,9% do total emitido no ano.
Recordes no mercado secundário
Cresceram também as negociações de debêntures incentivadas no mercado secundário, com R$ 316 bilhões de janeiro a novembro, novo recorde, 24,2% maior que o valor do mesmo período de 2024. Considerando as debêntures com e sem incentivos, o mercado secundário movimentou R$ 870,5 bilhões no ano, volume também inédito e com aumento de 34,6% sobre janeiro a novembro do ano passado. O aumento das negociações no mercado secundário é importante para o investidor pois garante maior facilidade caso ele queira sair do investimento antes do vencimento.
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