A operação na Venezuela na manhã deste sábado (3), na qual o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro, líder do país, foi o ápice de meses de ameaças e acusações.
A administração Trump acusou Maduro de tráfico de drogas, e o Departamento de Estado o classificou como chefe de um “estado narco-terrorista”.
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Maduro, segundo ela, foi acusado de “conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos”
Autoridades americanas afirmam que Maduro, que se define como socialista e lidera a Venezuela desde 2013, é um líder ilegítimo e o acusam de controlar grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas — acusações que ele nega.
A campanha de pressão contra Maduro vem crescendo há anos, por meio de uma série de acusações, sanções e, recentemente, ações militares.
Em 2020, durante o primeiro governo Trump, Maduro foi indiciado nos EUA por corrupção, tráfico de drogas e outras acusações. Em 2025, os EUA aumentaram a recompensa por informações que levassem à captura de Maduro para 50 milhões de dólares.
Nos últimos meses, os principais assessores de Trump intensificaram a pressão para tirar Maduro do poder, enquanto a administração tentava transformar a guerra doméstica contra as drogas em uma ameaça terrorista internacional.

Desde o final de agosto, o Pentágono reuniu uma dúzia de navios no Mar do Caribe. Com mais de 15 mil militares na região, o reforço americano é o maior desde a crise dos mísseis de Cuba, em 1962.
A operação de comando de sábado, a mais arriscada já conhecida dos EUA desde que o SEAL Team 6 matou Osama bin Laden em 2011 no Paquistão, ocorre em meio a uma campanha militar legalmente controversa nas águas da América Latina, com o objetivo de aumentar a pressão sobre Maduro.
Essa campanha já registrou 35 ataques americanos que mataram pelo menos 115 pessoas em barcos no Caribe e no Pacífico oriental. Muitos especialistas em direito afirmam que esses ataques são ilegais e que o exército está matando civis.
Embora alguns, possivelmente a maioria, dos suspeitos de tráfico sejam venezuelanos, os barcos atacados também transportavam pessoas da Colômbia, Equador e Trinidad.
Diferente das operações tradicionais contra o narcotráfico, que miram líderes de alto escalão dos cartéis, os ataques aos barcos visavam operadores de baixo nível no tráfico ilegal. Ao capturar Maduro, a administração provavelmente vai alegar que prendeu o cérebro por trás do suposto tráfico.
Na realidade, a Venezuela não é uma fonte importante de drogas para os EUA. O país não produz fentanil, e a cocaína que passa pela Venezuela é cultivada e produzida na Colômbia, seguindo depois para a Europa.

Trump também ameaçou repetidamente realizar ataques terrestres na Venezuela. Na semana passada, a CIA realizou um ataque com drone em uma instalação portuária na Venezuela, que os EUA acreditavam estar armazenando drogas de uma gangue venezuelana, segundo pessoas informadas sobre a operação.
A operação para capturar Maduro também foi o mais recente exercício unilateral de poder de Trump. Ele não tinha autorização explícita do Congresso, onde um grupo bipartidário no Senado tem promovido legislação para tentar limitar sua autoridade para ações militares dentro da Venezuela.
No sábado, o senador Mike Lee, de Utah, disse nas redes sociais que o secretário de Estado Marco Rubio lhe contou por telefone que Maduro foi “preso por pessoal dos EUA para responder a processo criminal nos Estados Unidos.”
Em uma postagem nas redes sociais após o anúncio da captura de Maduro, Rubio republicou uma mensagem que escreveu em julho, numa tentativa aparente de responder às preocupações, inclusive de legisladores republicanos, sobre a legalidade dos ataques e da prisão.
“Maduro NÃO é o presidente da Venezuela e seu regime NÃO é o governo legítimo”, escreveu Rubio.
Lee disse que Rubio não esperava novas ações na Venezuela agora que Maduro estava sob custódia.
A abordagem da administração Trump à Venezuela desde 2025 tem sido guiada por três objetivos: enfraquecer Maduro, usar força militar contra os cartéis de drogas e garantir o acesso das empresas americanas às vastas reservas de petróleo do país.

A meta de derrubar Maduro foi uma iniciativa defendida por Rubio.
Em 25 de julho, Trump assinou uma ordem secreta para ação militar contra os cartéis, autorizando ataques marítimos. Oficiais da administração chamaram os ataques aos barcos de “Fase Um”, com o SEAL Team 6 liderando.
Na época, os formuladores de políticas também discutiam uma vaga “Fase Dois”, com unidades do Delta Force do Exército possivelmente realizando operações terrestres.
Em outubro, Trump cancelou esforços para um acordo diplomático com Maduro, depois que o líder venezuelano se recusou a ceder voluntariamente o poder e continuou negando envolvimento com o tráfico.
Enquanto os ataques aos barcos continuavam no outono, Trump, Rubio e Stephen Miller, um dos principais assessores da Casa Branca para política de imigração, passaram para a próxima fase da campanha contra Maduro: apreender petroleiros para privar a Venezuela de receita.
Eles insistiram que Maduro deve devolver o petróleo e outros bens “roubados” dos EUA antes que o que Trump chamou de bloqueio seja suspenso.
Nas primeiras semanas, a tática abalou a economia venezuelana ao paralisar a indústria do petróleo. Críticos chamaram isso de diplomacia da canhoneira ou, como disse Maduro, “uma pretensão belicista e colonialista.”
c.2026 The New York Times Company
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