Como ações, juros e dólar costumam se comportar em anos eleitorais no Brasil?

Home Broker

A análise dos últimos ciclos eleitorais no país indica que a volatilidade observada nos ativos brasileiros nem sempre teve origem diretamente no processo eleitoral, segundo análise da XP Investimentos. Em vários momentos, os principais picos de estresse foram provocados por fatores externos ou por eventos domésticos paralelos ao pleito.

Historicamente, quatro vetores explicam a maior parte da volatilidade em anos eleitorais: (i) choques globais, como a crise da dívida europeia em 2010 ou a guerra Rússia-Ucrânia em 2022; (ii) ruídos locais com impacto macroeconômico, como a greve dos caminhoneiros em 2018 ou as discussões fiscais em 2022; (iii) mudanças abruptas no cenário eleitoral, como a entrada inesperada de candidaturas competitivas, caso de Marina Silva em 2014 e, em menor escala, Fernando Haddad em 2018; e (iv) discrepâncias entre pesquisas e resultados efetivos das urnas, com 2014 sendo o exemplo mais emblemático.

No câmbio, o padrão histórico é mais evidente. A XP observou picos de volatilidade entre abril e julho, período em que o mercado começa a precificar o risco eleitoral com maior intensidade, seguidos por nova rodada de instabilidade durante a campanha propriamente dita.

Na bolsa, a dinâmica tende a ser caracterizada por movimentos concentrados em eventos específicos no primeiro semestre e aumento da oscilação à medida que o pleito se aproxima.

Já no mercado de juros, não há uma sazonalidade tão clara, sendo os movimentos mais associados a questões fiscais e expectativas sobre a condução da política econômica.

Gráficos de volatilidade em anos eleitorais (Fonte: XP Investimentos)

Eleições de 2010

Em 2010, por exemplo, o principal foco de volatilidade foi a crise da dívida grega, um choque externo. A eleição, marcada por elevada popularidade do então presidente Lula e transição relativamente previsível, teve impacto limitado sobre os ativos, de acordo com o relatório.

Eleições de 2014

Em 2014, o cenário foi distinto. A queda na popularidade de Dilma Rousseff ao longo de 2013 e 2014, combinada com o acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos e impulsionou temporariamente a candidatura de Marina Silva, elevou substancialmente a incerteza. A volatilidade aumentou especialmente após o primeiro turno, diante do empate técnico nas pesquisas e da percepção de disputa apertada.

Eleições de 2018

Em 2018, dois eventos concentraram o estresse: a greve dos caminhoneiros e o atentado contra Jair Bolsonaro. Após o primeiro turno, contudo, a volatilidade diminuiu, já que o resultado consolidou a expectativa de vitória com margem superior à sugerida pelas pesquisas.

Eleições de 2022

Em 2022, a dinâmica foi fortemente influenciada por fatores fiscais e pelo ambiente externo. A discussão sobre flexibilização do teto de gastos e, posteriormente, a guerra na Ucrânia tiveram papel central. Ainda assim, o resultado do primeiro turno, com diferença menor que a indicada pelas pesquisas, também gerou ajustes relevantes nos preços dos ativos.

Eleições de 2026

Para 2026, na visão da XP, alguns elementos já começam a se delinear. A antecipação da discussão eleitoral, com o anúncio de pré-candidaturas ainda no final de 2025, trouxe parte da volatilidade para mais cedo no ciclo.

Ao mesmo tempo, o ambiente de elevada polarização sugere uma disputa potencialmente apertada, o que tende a elevar o prêmio de risco nos meses próximos ao pleito, sobretudo caso as pesquisas indiquem cenários indefinidos.

Por outro lado, o papel dos fatores globais merece atenção especial. Nos últimos trimestres, o ambiente internacional tem exercido influência predominante sobre os ativos domésticos. Caso esse padrão se mantenha, a volatilidade eleitoral poderá ser amplificada, ou relativizada, por choques externos.

Por fim, a XP Investimentos destaca que a experiência histórica mostra que eleições aumentam a sensibilidade dos ativos, mas raramente atuam de forma isolada. Em 2026, a combinação de polarização doméstica com um cenário global ainda incerto sugere um ambiente propício a oscilações mais intensas, especialmente no câmbio e na bolsa, à medida que o pleito se aproxima.

The post Como ações, juros e dólar costumam se comportar em anos eleitorais no Brasil? appeared first on InfoMoney.

Scroll to Top