Os ataques dos Estados Unidos à Venezuela na manhã deste sábado (3) reacenderam a tensão geopolítica na América do Sul e devem repercutir nos mercados internacionais – e também no Brasil.
Para o estrategista‑chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, três efeitos principais podem atingir o Brasil, conforme destacado abaixo:
1. Choque inicial: petróleo mais caro e aumento do risco na América Latina
A primeira consequência, segundo Cruz, é de curtíssimo prazo: uma possível alta no preço internacional do petróleo. Embora a Venezuela estivesse sob sanções, investigações jornalísticas recentes mostraram que navios continuavam saindo do país rumo a outros mercados, mantendo uma oferta paralela, muitas vezes com preços mais baixos.
Com o endurecimento do conflito, essa oferta pode ser reduzida, pressionando para cima as cotações.
Além disso, uma eventual escalada militar envolvendo Caracas pode contaminar a percepção de risco sobre toda a região. Cruz lembra que, para investidores globais, a diferenciação entre países latino‑americanos nem sempre é tão clara sobre o que é risco Venezuela e do que é América do Sul.
O resultado seria um aumento nos CDS — indicador de risco contra calote — de vários países, inclusive o Brasil, ao menos no curto prazo.
2. O movimento inverso no médio prazo: pressão baixista no petróleo
Apesar da tensão atual, Cruz destaca que o cenário pode se inverter ao longo de 2025. Uma promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, era de normalizar as operações das empresas petrolíferas americanas na Venezuela, sem restrições.
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Com a normalização das operações e o retorno pleno da Venezuela — que possui as maiores reservas de petróleo do mundo — ao mercado global, a oferta aumentaria de forma significativa. Isso poderia derrubar os preços do barril no médio prazo, produzindo o efeito oposto ao observado agora.
3. Dilema diplomático para o governo Lula
Outro ponto de atenção é o impacto político. Segundo Cruz, a postura do presidente Lula diante da crise venezuelana desempenha um papel crucial. Devido à histórica aliança com o governo venezuelano, há um dilema político e moral em relação à condenação da situação.
“Uma posição favorável ao governo venezuelano poderia gerar atritos com os Estados Unidos, especialmente considerando a recente redução das tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Uma possível reação dos EUA seria a retomada dessas tarifas, o que representaria um desgaste político e econômico para o Brasil”, ressalta Cruz.
Assim, uma postura de neutralidade, com foco no discurso de ausência de violência, poderia ser a solução mais prudente.
Bônus: pressão migratória pode crescer — impacto econômico
Por fim, Cruz aponta um efeito colateral possível, ainda que menos ligado ao mercado financeiro: um novo fluxo migratório venezuelano rumo a países vizinhos.
No caso do Brasil, municípios e estados da região Norte podem enfrentar maior pressão sobre serviços públicos, assistência social e infraestrutura.
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