O presidente Donald Trump recebeu amplo apoio de republicanos conservadores pelo ataque à Venezuela, mesmo entre aqueles que têm divergido da Casa Branca em relação à Ucrânia e outras políticas externas durante seu primeiro ano de volta ao poder.
A operação de sábado e a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro uniram o partido em torno de Trump, um contraste com as disputas internas recentes sobre saúde e custo de vida.
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Isolacionistas como as deputadas Marjorie Taylor Greene e Thomas Massie criticaram a ação, mas estavam em minoria. O senador Rand Paul, conhecido por sua postura libertária e frequentes embates com Trump, foi mais moderado em suas críticas, embora tenha questionado a decisão de não consultar o Congresso.
A união do Partido Republicano em apoio a Trump ocorre a 10 meses das eleições de meio de mandato, quando a popularidade do presidente preocupa os republicanos.
“O interesse nacional dos EUA é uma Venezuela livre, democrática e estável, liderada pelos venezuelanos”, afirmou o senador Mitch McConnell, ex-líder republicano que mantém relação tensa com Trump.
O petróleo venezuelano também pode influenciar as eleições, embora analistas não esperem impacto imediato nos preços globais, já que a produção do país caiu para cerca de 1% da oferta mundial e a reconstrução da infraestrutura será lenta e custosa.
Divergência democrata
Líderes democratas condenaram Maduro como ditador, mas também criticaram o ataque “não autorizado” sem consulta ao Congresso.
O senador Tim Kaine, da Virgínia, anunciou que tentará votar para encerrar o conflito e bloquear financiamento militar para a Venezuela.
“Não há justificativa legal para Trump atacar, governar ou tomar o petróleo venezuelano sem autorização do Congresso”, afirmou Kaine.
O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, destacou que a administração precisa esclarecer duração, custo, número de tropas e limites da ação americana para obter aprovação do Congresso.
“Trump fez campanha contra guerras intermináveis, e agora estamos entrando em mais uma”, disse Schumer.
Essas votações devem registrar a posição dos senadores, mas dificilmente passarão no Congresso dominado pelos republicanos, muito menos obterão os dois terços necessários para derrubar um veto presidencial.
Rand Paul, que apoia a prerrogativa do Congresso para autorizar o uso de forças no exterior, expressou preocupação com a concentração de poder na ação militar, mas é uma voz isolada no partido.
A senadora moderada Susan Collins, do Maine, que lidera o comitê de orçamento militar, criticou levemente a falta de comunicação prévia com o Congresso, ressaltando a necessidade de envolvimento dos legisladores conforme a situação evolui.
Impacto político
A captura de Maduro pode influenciar a política em estados como a Flórida, que abriga muitos americanos de origem venezuelana.
A deputada Debbie Wasserman Schultz, ex-presidente do Partido Democrata, chamou a prisão de Maduro de “notícia bem-vinda para meus amigos e vizinhos que fugiram de seu governo violento e desastroso”.
Ela também afirmou que exigirá explicações sobre o fato de o Congresso e o povo americano terem sido ignorados na operação.
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