Os EUA anunciaram, na madrugada deste sábado, a realização de ataque na Venezuela e captura de Nicolás Maduro, líder venezuelano. O país detém a maior reserva de petróleo do mundo, o que, para especialistas, influenciou em parte as decisões de Donald Trump, presidente os EUA.
Para Pedro Rodrigues, diretor e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura e Energia (CBIE), o retorno da Venezuela como um dos maiores produtores de petróleo mundiais levaria tempo. O petróleo venezuelano é um petróleo considerado pesado, com baixo valor agregado e maior custo para extração. Somado a isso, o produto exige mais diluentes, pela característica.
“Voltar a produzir petróleo na Venezuela, como a Venezuela já produziu 3, 4 milhões de barris por dia, demanda um certo tempo”, afirma.
Mesmo após a operação que gerou a captura de Maduro, ainda há muita incerteza no que se espera para a a Venezuela. Para Rodrigues, há possibilidade de alguns cenários, a depender do que se desenrolar no contexto geopolítico que envolve os países.
Em primeira análise, Rodrigues considera que, caso a Venezuela volte a ser uma democracia aberta, é possível que passe a contar com investimentos estrangeiros e investimentos do próprio país para que volte a produzir. Com isso e a queda dos atuais embargos, seria possível que o petróleo venezuelano conseguisse chegar ao mercado.
“Estamos em um momento de diminuição da demanda por petróleo e um aumento de oferta. Então, se Venezuela conseguisse num espaço de tempo razoável, colocar essa produção a mercado internacional seria mais oferta de petróleo no mercado o que causaria aí uma diminuição preços ainda mais baixos do petróleo”, afirma.
O diretor considera ainda que há possibilidade da Rússia pode terminar a guerra com a Ucrânia. Em sua visão, isso ainda poderia se somar a oferta maior de petróleo no mercado que o preço fosse mais baixo ser mais baixo.
Ele afirma que é possível ver no curto/médio prazo preços mais baixos ainda de petróleo. Nesse sentido, Rodrigues destaca que, por expectativas, a captura de Maduro já pode causar a diminuição do preço do barril desde já.
“O mercado já vai começar a ter aí a especulação natural, né? O que não necessariamente pode ser verdadeira no futuro, né? Mas o fato é que o cenário seria esse, se a Venezuela conseguir colocar essa produção de petróleo no mercado global”, afirma.
Impacto para Petrobras
Para o diretor, a ideia de petróleo mais baixo poderia ser positiva para o Brasil se a Petrobras (PETR3; PETR4) seguir paridade internacional de preço.
“O Brasil teria combustível mais barato. Por outro lado, para Petrobras, talvez não seja bom porque ela também vem de petróleo que também diminui a receita a Petrobras, que hoje é muito alavancada com o preço de petróleo muito alto”, considera.
Com preço menor de petróleo, explica, poderia haver impacto para o balanço e a dívida Petrobras.
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