O governo de Israel confirmou, neste domingo (8), a interceptação do navio Madleen, que transportava uma carga simbólica de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e ativistas internacionais, entre eles a sueca Greta Thunberg, 22 anos, e o comunicador brasileiro Thiago Ávila, 38.
Operado pela Freedom Flotilla Coalition, o barco partiu da Sicília, na Itália, em 1º de junho, com o objetivo declarado de furar o bloqueio marítimo imposto por Israel a Gaza desde 2007. A embarcação foi alvo de uma operação das Forças de Defesa de Israel (IDF) em águas internacionais. Ativistas a bordo relataram que drones lançaram produtos químicos sobre o navio e que, sob coação, foram forçados a jogar seus celulares no mar.
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“Eles estão interferindo no rádio, não podemos pedir ajuda!”, disse Ávila em vídeo publicado no Instagram, pouco antes da conexão ser cortada. Em outros registros, ativistas denunciam a ação como violenta e arbitrária.
Quem é Thiago Ávila
O brasileiro Thiago Ávila é membro do comitê diretor da Freedom Flotilla Coalition e possui histórico de atuação em causas sociais e ambientais. Foi candidato a deputado federal pelo PSOL em 2022 e participou de outras missões humanitárias. Em seus perfis nas redes sociais, vinha documentando diariamente a rota do Madleen e os objetivos políticos e simbólicos da ação.
A Freedom Flotilla foi criada em 2010, com apoio do Movimento Gaza Livre e da Fundação Turca de Direitos Humanos e Ajuda Humanitária. A coalizão defende que o bloqueio marítimo israelense é ilegal e organiza expedições civis com ajuda humanitária e ativistas de direitos humanos.
“Encenação midiática”
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores de Israel ironizou a missão, chamando a embarcação de “iate de selfies” e acusando os ativistas de promover uma “provocação midiática” com pouco valor humanitário.
“Enquanto Greta e outros tentavam encenar uma provocação na mídia, com menos de um caminhão de ajuda, mais de 1.200 caminhões de ajuda entraram em Gaza vindos de Israel nas últimas duas semanas”, afirmou a chancelaria israelense. “Há maneiras de entregar ajuda — elas não envolvem selfies no Instagram”, declarou.
Israel também divulgou vídeos dos ativistas sendo levados a bordo de embarcações militares, recebendo água e alimentos. “O show acabou”, concluiu a postagem oficial.
Ajuda simbólica
A Freedom Flotilla Coalition afirmou que o barco transportava uma pequena quantidade de itens básicos, como arroz e leite em pó, com foco mais simbólico do que logístico. Segundo a coalizão, a ação buscava chamar atenção global para a escassez de alimentos e o impacto civil do bloqueio em Gaza, intensificado após os ataques do Hamas em outubro de 2023.
A ofensiva israelense reabre o debate sobre os limites do ativismo internacional, os critérios de legalidade do bloqueio marítimo e a instrumentalização da ajuda humanitária como ferramenta geopolítica.
A bordo do Madleen, além de Greta e Thiago, estavam ativistas da França, Alemanha, Holanda, Espanha, Suécia e Turquia. Segundo o governo de Israel, todos devem ser repatriados.
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