Apesar do aumento das tensões geopolíticas e do impacto das tarifas dos EUA, espera-se que o crescimento econômico na região da Ásia-Pacífico (Apac) se mantenha estável em 2026. Segundo um relatório de dezembro divulgado pelo Mastercard Economics Institute (MEI), o crescimento real do PIB na região deve ficar em 3,1% em 2026, praticamente estável em comparação com os 3,2% de 2025.
“As contribuições efetivas para o crescimento global vêm mais da região da Ásia-Pacífico do que das Américas ou da Europa”, afirma David Mann, economista-chefe da Mastercard para a Apac, em entrevista à Fortune.
Leia também: Os 8 “cisnes negros” que podem abalar os mercados globais em 2026, segundo Saxo Bank
Mann atribui a resiliência do crescimento asiático ao volume robusto de investimentos, especialmente em tecnologia e infraestrutura ligados à expansão da inteligência artificial. Ele acrescenta que a região da Apac é única, pois três quartos do investimento estrangeiro direto vêm do próprio bloco regional, e não de fontes de fora da Ásia.
Com os EUA se tornando um parceiro comercial cada vez menos confiável, países asiáticos buscam construir cadeias de suprimentos com seus vizinhos.
“Mais investimentos estão indo para outros mercados da região, como China, Japão e Coreia do Sul, para ajudar a expandir cadeias de suprimentos e capacidade em múltiplos mercados, visando diversificação”, diz Mann.
Crescimento desigual na região
A Mastercard prevê que as trajetórias de crescimento no Sudeste Asiático vão divergir no próximo ano. Entre os países da Asean-5 (as cinco economias fundadoras e maiores da Associação das Nações do Sudeste Asiático), Indonésia e Filipinas devem se expandir de forma consistente, enquanto o crescimento perde fôlego na Malásia, em Cingapura e na Tailândia.
“Acreditamos que haverá algum suporte na Indonésia, vindo da política fiscal e da expansão do investimento”, afirma Mann, acrescentando que prevê “crescimento estável” (5% de crescimento real do PIB) no país mais populoso do Sudeste Asiático.
Nas Filipinas, vários choques pontuais em 2025 levaram analistas a projetar taxas de crescimento mais fortes em 2026, em razão de um desempenho mais moderado neste ano.
A Tailândia, por outro lado, atravessa um “período mais fraco”, com Mann classificando-a como uma das economias de crescimento mais lento da região.
A Mastercard prevê que o crescimento real do PIB da Tailândia desacelere para 1,8% em 2026. O país enfrenta um desafio demográfico “relativamente grande”, acrescenta Mann, apontando a rápida transição para uma sociedade superenvelhecida em razão de as taxas de natalidade terem chegado a níveis recordes de baixa.
A ascensão da classe média
Ainda assim, Mann argumenta que há motivos para otimismo em relação ao crescimento do Sudeste Asiático.
“A própria Asean é um grande e relevante ator global, mesmo quando comparada ao Leste Europeu, à Europa Ocidental, à América Latina e à região Emea (Europa, Oriente Médio e África)”, afirma. “É uma região significativa que ainda tem uma classe média em ascensão e um processo de urbanização em curso, especialmente em lugares como o Vietnã.”
A maior prosperidade dessa região jovem também elevará os gastos do consumidor, impulsionando ainda mais o crescimento. A demografia relativamente jovem e digitalmente conectada do Sudeste Asiático oferece um fluxo constante de consumidores em busca das últimas tendências.
“Se você produz na Indonésia, também venderá ali, porque é um mercado enorme — mais de 40% da população da Asean está na própria Indonésia”, diz Mann.
Uma população mais rica também tende a viajar mais. “À medida que mais pessoas se tornam mais prósperas, elas vão além de apenas comprar coisas e passam a buscar experiências — e viajar está no topo dessa lista”, afirma Mann.
A retomada do turismo após a pandemia também é um impulso para o Sudeste Asiático, um destino popular tanto para turistas regionais quanto globais.
Em 2025, a Tailândia, em especial, registrou um salto no número de visitantes após o lançamento da terceira temporada da série de sucesso da HBO The White Lotus, filmada em várias cidades tailandesas, incluindo Koh Samui, Phuket e Bangcoc.
Globalmente, destinos alternativos também ganharam popularidade, à medida que viajantes buscam caminhos menos óbvios.
“Isso significa que você pode ver ainda mais lugares se abrindo para receber turistas — onde eles nunca haviam ido antes”, explica Mann.
Isso impulsionaria a criação de empregos e o investimento em infraestrutura, além de espalhar os ganhos econômicos do turismo por diferentes regiões do país.
“Em lugares como Tailândia ou Malásia, vimos uma maior dispersão da participação dos gastos. Antes, os cinco principais destinos concentravam a maior parte de todo o gasto turístico do país — e isso vem caindo de forma constante ano após ano”, diz Mann.
2025 Fortune Media IP Limited
The post Ásia vai crescer em 2026, apesar de problemas globais, diz economista da Mastercard appeared first on InfoMoney.
