Documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Jeffrey Epstein buscou, ao longo de vários anos, estabelecer contato com autoridades do alto escalão russo, incluindo o presidente Vladimir Putin e o chanceler Sergei Lavrov. Os registros não confirmam que encontros tenham ocorrido.
Em um e-mail de 24 de junho de 2018, Epstein escreveu ao então secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjørn Jagland, sugerindo que ele indicasse a Putin um canal para que Lavrov “obtivesse informações” sobre como falar com ele.
Jagland respondeu que se encontraria com um assessor de Lavrov para transmitir a sugestão, segundo os arquivos.
As mensagens fazem referência ao embaixador russo na ONU Vitaly Churkin, morto em 2017, descrito por Epstein como interlocutor frequente em Nova York. Em trocas posteriores, o financista afirmou que Churkin “entendeu Trump” após conversas privadas, sem apresentar evidências.
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Outros e-mails anteriores mostram tentativas semelhantes. Em maio de 2013, Epstein informou ao então primeiro-ministro israelense Ehud Barak que Jagland se reuniria com Putin em Sochi e perguntou se haveria interesse em um encontro para discutir incentivos ao investimento ocidental na Rússia. Dias depois, Jagland escreveu que transmitiria a Putin uma mensagem sugerindo que Epstein poderia ser “útil”.
Em comunicações internas, Epstein alegou, sem comprovação, ter recusado um pedido de Putin para um encontro em São Petersburgo em 2013. Também há referência, em e-mails de 2014, a uma suposta reunião com Putin, com convite estendido ao fundador do LinkedIn Reid Hoffman, que não teria aceitado.
Os arquivos ainda registram relações de Epstein com empresários e autoridades russas. Ele descreveu Sergey Belyakov, ligado ao Fundo Russo de Investimento Direto, como “meu grande amigo” em e-mail de 2015 ao investidor Peter Thiel.
Há mensagens nas quais Epstein se oferece para ajudar Belyakov a atrair investimentos e, em outro momento, pede “sugestões” sobre um caso de suposta chantagem envolvendo uma cidadã russa.
O Kremlin rejeitou as alegações. O porta-voz Dmitry Peskov declarou que a tese de controle por serviços russos “não é levada a sério”.
Na Noruega, a unidade de investigação Økokrim anunciou a abertura de apuração sobre Jagland com base nos documentos. O político negou irregularidades e afirmou que cooperará com as autoridades.
Segundo o material divulgado, as comunicações indicam tentativas reiteradas de aproximação de Epstein com figuras influentes e participação em eventos na Rússia. Os arquivos não confirmam que ele tenha conseguido falar ou se encontrar com Putin.
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