Após ganhos de até 80% em 2025, fundos de ações podem seguir em alta em 2026

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A alta da bolsa, com recordes consecutivos nas últimas semanas de 2025, favoreceu os fundos de ações, com vários deles superando os juros e até o Índice Bovespa, que ganha cerca de 30% em 2025. Olhando os maiores rendimentos deste ano até dia 10 de dezembro entre os fundos com patrimônio acima de R$ 500 milhões, os ganhos chegam a mais de 80% — e 19 carteiras estavam acima de 40% no ano.

O levantamento, feito pelo InfoMoney com dados da Economática, mostra que as maiores rentabilidades são de fundos da categoria Livre, que dão maior autonomia para o gestor e permitem estratégias específicas e maior concentração em empresas ou setores, caso do Infrad, da Radar Investimentos, de infraestrutura.

Mas há também um fundo de dividendos da Bradesco Asset, e um de Ibovespa ativo, que tenta superar o índice, da Itaú Asset.

Veja abaixo:

Nome Classificação Gestora Retorno no ano (%) Patrimônio R$/mil
Infrad Master Livre Radar Gestora 81,36 591.368
Alaska Black Fundo Inv Livre Alaska Investimentos 77,14 820.764
Radar Master Livre Radar Gestora 67,04 1.025.507
Absoluto Partners Master Livre Absoluto Partners 61,39 3.607.107
SPX Patriot Master Livre Spx Capital 60,62 703.801
XP Investor 30 Master Livre Xp Gestão 58,69 634.800
SPX Falcon Master Livre Spx Capital 58,52 6.646.473
Sharp Equity Value Livre Sharp Capital 52,06 577.153
Constellation Qualificado Livre Constellation Invest 48,33 517.617
Absolute Pace Long B. Master Livre Absolute Gestão 45,14 4.051.424
Atmos Master Livre Atmos Capital 44,90 11.119.610
Master Private Mult Índice Ativo Itau Asset 42,68 1.251.796
Bradesco FI Financeiro Dividendos Banco Bradesco 42,52 530.286
Itaú Private Aquila Master Livre Itau Asset 42,12 583.086
Tarpon Gt Master Instit Livre Tarpon Capital 41,95 1.537.412
Az Quest Small Mid Caps Master Livre Az Quest 41,77 1.400.094
Dynamo Cougar Master Livre Dynamo Administração 41,37 10.527.156
WHG Investment Long Bias Master Livre Wealth High Governance 40,78 999.423
Real Investor Master Livre Real Investor Asset 40,72 2.428.082
Honor Master Livre Pragma Gestão 39,60 1.409.150
Fonte: Economática/Infomoney. Fundos com patrimônio superior a R$ 500 milhões. Rendimentos no ano até 10 de dezembro.

Recorde de resgates

Apesar desse bom desempenho, muitos investidores perderam essa oportunidade já que os fundos de ações registram uma saída líquida de recursos de R$ 52,8 bilhões no ano, a maior desde o início da série história em 2006 da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).  

“Isso prova a importância da diversificação, quem imaginaria no começo do ano que a renda variável seria a mais rentável?”, afirmou Rachel de Sá, estrategista de Investimentos no Research da XP Investimentos durante o evento Onde Investir 2026.

Segundo ela, uma carteira equilibrada em um ambiente de incerteza e instabilidade consegue entregar bom retorno mesmo com desafios.

Maiores fundos

Entre os dez fundos com maior patrimônio, há desempenhos mais modestos, mas também ótimos resultados como o SPX Falcon e o Absoluto Partners, com rendimentos de 58% e 61%, respectivamente. Confira:

Nome Classificação Gestora Retorno no ano % Patrimônio R$ mil
Opportunity Ações Ações Livre Opportunity Hdf 33,97 22.201.964
Atmos Master Ações Livre Atmos Capital 44,90 11.119.610
Dynamo Cougar Master Ações Livre Dynamo Adm. 41,37 10.527.156
Opportunity Lógica Master Ações Livre Opportunity Hdf 34,68 6.739.193
SPX Falcon Master Ações Livre SPX Capital 58,52 6.646.473
Geração L.Par FIA Ações Livre Plural 29,60 5.230.024
Absolute Pace Long Biased Master Ações Livre Absolute Gestão 45,14 4.051.424
Squadra Master Long-Biase Ações Livre Squadra Investiments 32,33 3.797.022
Absoluto Partners Master Ações Livre Absoluto Partners 61,39 3.607.107
Guepardo Institucional Ações Livre Guepardo Invest 28,04 3.198.266
Fonte: Economática/Infomoney. Fundos de ações com maiores patrimônios. Rendimentos no ano até 10 de dezembro.

A questão agora é se esse desempenho vai se manter no ano que vem, mesmo que de maneira mais modesta. E a expectativa é positiva, pelo menos no começo do ano, quando se espera que comecem os cortes de juros pelo Banco Central.

Depois, o mercado deve entrar no limbo da campanha presidencial e ganhar força mais no fim do ano, com um cenário político mais definido.  

Juros devem ajudar

Os juros têm um peso grande para o mercado de ações, tanto pelo freio que provocam na economia quanto pelo impacto no resultado das empresas, especialmente as mais endividadas, afirma Antonio Sanches, analista do Research da Rico Investimentos.

Há ainda o efeito no cálculo de valor justo da companhia, que sobe quando o juro cai. E a expectativa é que haja uma redução não só da Selic, mas também dos juros reais a partir da queda da inflação, o que tende a favorecer o mercado de ações. “Você tem também o efeito positivo dos juros menores na captação dos fundos com renda variável após o investidor notar o retorno menor dos fundos de renda fixa e o ganho deste ano das carteiras de ações”, diz.

“Não é que seja o correto, mas a gente sabe que há uma influência do resultado dos últimos 12 meses na decisão sobre em qual fundo ele vai aplicar”, diz. E isso pode favorecer os fundos de maior risco como ações e multimercado, o que deve ser positivo. “A gente ressalta a importância de que o investidor mantenha uma carteira diversificada, com investimento em fundos de ações e multimercados.”

Volatilidade garantida

A certeza diante de um cenário de queda nos juros aqui e nos Estados Unidos, de eleições no Brasil e de troca do presidente do Federal Reserve é que teremos muita volatilidade nos mercados no ano que vem, afirma Raphael “Rafi” Figueiredo, estrategista de ações no Research da XP Invest.

Em apresentação no Onde Investir 2026, Rafi destacou o efeito positivo global para mercado brasileiro, enquanto as questões fiscais locais discutidas na eleição presidencial serão acompanhadas com muita seriedade por parte de investidor. “A volatilidade explode em períodos pré-eleitorais, o que não é ruim, mas é um ponto para se ter atenção e operar com proteção”, diz.

Para ele, a discussão fiscal do próximo governo deve ter impacto nos juros reais longos e, por tabela, no Índice Bovespa.

Ibovespa entre 144 mil e 223 mil

Assim, ele montou três cenários para o Índice Bovespa em 2026, de acordo com o juro real. O cenário mais provável, de 185.453 mil pontos para o Ibovespa, é com juro real de hoje, de 7,1%, e que prevê um ajuste fiscal moderado.

Já o pessimista, de continuidade da deterioração das contas públicas, estima um juro real mais alto, de 8,5% ao ano, e Ibovespa em 144.499 pontos.

No mais otimista, com um ajuste fiscal mais rigoroso, o juro real cairia para 5,5% e Ibovespa caminharia para 223.908 pontos.

Diante da incerteza com o cenário eleitoral, Rafi reforça a recomendação de diversificação para o investidor. “O que aprendemos em 2025 é que não é que a renda variável é o patinho bonito da história e vai seguir seu estado mais supremo e ganhar notoriedade, mas que a diversificação e a alocação dos recursos se fazem necessárias na vida do nosso cliente.”

Espaço para andar mais

Os dados econômicos continuam corroborando com a tese mais positiva para as ações, diz Rodrigo Santoro, head de Ações da Bradesco Asset. “Acreditamos que há espaço para a bolsa andar mais e o primeiro trimestre do ano que vem será importante pela dinâmica do mercado americano de diversificação após o corte de juros pelo Fed, o início dos cortes de juros no Brasil e maior clareza com a eleição, pelo menos com os nomes dos candidatos”, afirma, acrescentando que “pode ser um trimestre bastante positivo para a bolsa”.

Trecho sob neblina

A partir do segundo semestre, porém, ele começa a ver uma neblina grande por conta da corrida eleitoral. Já no segundo semestre o tema do mercado vai ser eleição e uma definição deve ocorrer apenas no último trimestre. “Vemos uma eleição apertada, bastante disputada e é muito difícil ter uma posição”, diz.

Essa indefinição deve afetar mais os investidores locais, que tendem a aguardar para arriscar na bolsa, até porque os juros no Brasil continuarão altos, apesar da redução. Para o investidor externo, porém, Santoro acha que o movimento vai depender mais do cenário global.

Gestão ativa e dividendos

Sobre os fundos de ações, Santoro diz que gosta de carteiras com gestão ativa focados em valor, que vão conseguir fazer uma seleção de ações mais eficaz num momento de maior volatilidade. Ele continua bastante otimista também com a tese de dividendos, pois essas empresas unem o benefício da queda de juros com flexibilidade em um momento de volatidade.

“É uma estratégia que oferece bom risco retorno levando em conta um segundo semestre mais volátil.”, diz.

Nos fundos de dividendos, Santoro diz que o Bradesco tem favorecido empresas de segmento de Utilities, ou serviços, como concessões rodoviárias, além do setor imobiliário, que apresenta boas oportunidades no segmento de baixa renda. “As empresas imobiliárias para baixa renda estão conseguindo retorno bom e têm bom pagamento de dividendo”, diz. Outra exposição importante é no setor financeiro.

Sem pressa

Olhando os múltiplos da bolsa, dá para ver que o mercado tem muito para crescer, mas a questão é quanto tempo isso pode demorar, diz o gestor de ações Matheus Tarzia, da Neo Investimentos, uma das primeiras gestoras independentes do mercado.

Segundo ele, os vários movimentos corporativos como recompras de ações e fechamentos de capital mostram que as ações não estão caras. Mas o investidor não pode ter prazo, ser refém do calendário. “Uma perspectiva longa te dá momentos bons e ruins para bolsa, mas os bons podem realizar essas expectativas”.

Ele espera um ano “animado e bem interessante”, com as preocupações do mercado em torno da eleição presidencial. Mas Tarzia acredita que até uma continuidade do governo atual pode preocupar menos caso haja uma visão de que o uso de instrumentos fiscais para melhorar a popularidade deixem de ser tão necessários.

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