As ações da Eneva (ENEV3) desabaram na sessão desta terça-feira (10), ainda que longe das mínimas da sessão: o papel fechou com queda de 9,66%, a R$ 19,82. Na mínima do dia, foram negociadas a R$ 17,70 (-19,3%).
O movimento ocorre após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovar nesta terça-feira o edital do principal leilão deste ano destinado a reforçar a segurança do setor elétrico brasileiro, incluindo preços-teto para contratação de usinas termelétricas , muito abaixo dos previstos pelo mercado, segundo analistas.
Em reunião de diretoria, a Aneel apresentou os preços-teto de R$1,12 milhão por MW (megawatt).ano para usinas termelétricas existentes, R$ 1,6 milhão/MW.ano para novos empreendimentos termelétricos, e de R$1,4 milhão/MW.ano para expansão de hidrelétricas.
Os valores estão abaixo do preço mínimo de R$ 3,1 milhões/MW.ano para remunerar adequadamente um projeto novo de usina termelétrica a gás com uma taxa interna de retorno (TIR) real de 10%, segundo nota do Citi enviada a clientes.
Segundo analistas do UBS BB, os preços-teto apresentados em reunião de diretoria do regulador equivalem a R$ 182 por megawatt-hora (MWh) para novos empreendimentos termelétricos e a R$128/MWh para usinas existentes, muito abaixo da estimativa do banco de R$ 275/MWh e do consenso de mercado, que estaria entre R$ 220/MWh e R$ 300/MWh.
Em nota a clientes, eles citaram que, se confirmados os números, é algo “muito negativo” para a Eneva.
Com esses novos dados, o Citi alertou na nota para clientes para potencial de revisão baixista em 20% para o preço-alvo da Eneva, de R$ 25 a R$ 20. O banco também considera difícil o governo conseguir fazer recontratação de nova capacidade com preços atuais.
As ações da Eneva já haviam reagido negativamente na semana passada a uma mudança de regras no leilão promovida pelo governo, que reduziu custos para usinas ligadas à malha de transporte de gás, ampliando a competição ao beneficiar empresas como a Petrobras (PETR3;PETR4).
A agência reguladora vota nesta terça-feira a aprovação do edital dos principais leilões do setor elétrico, marcados para março deste ano. A Eneva é uma das principais interessadas, visando recontratar alguns de seus projetos termelétricos.
Cabe destacar que o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), voltado para usinas termelétricas e hidrelétricas que reforçarão a segurança do fornecimento de energia no país e previsto para março, era visto como o grande catalisador para as ações da companhia.
O governo realizará dois grandes leilões em março deste ano para contratar mais potência de usinas termelétricas e hidrelétricas, em uma medida vista como fundamental para diminuir riscos ao suprimento de energia no país diante do aumento da participação, na matriz, de fontes cuja geração não é controlável.
A licitação é amplamente aguardada por grandes geradores termelétricos, incluindo a Âmbar, do grupo J&F, além de Eneva e Petrobras. Também é vista como uma oportunidade para geradores hidrelétricos viabilizarem expansões de suas usinas existentes, atraindo interesse de empresas como Axia Energia (AXIA3; ex-Eletrobras) e Copel (CPLE3).
Serão oferecidos no certame contratos com prazos pela disponibilidade das usinas que variam de 3 a 15 anos. Os empreendimentos deverão iniciar a entrega de potência entre 2026 e 2031, a depender do tipo de contrato vencido.
(com Reuters)
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