Ação da OranjeBTC, criada para investir em Bitcoin, perde 72% do valor desde IPO

A OranjeBTC (OBTC3), que iniciou suas negociações na B3 em outubro do ano passado com o objetivo de comprar Bitcoin, amarga uma queda em suas ações de 70%, reflexo do derretimento da criptomoeda no mercado internacional.

A OranjeBTC comprou uma empresa já aberta, a Intergraus, e fez o chamado IPO reverso, quando uma companhia passa a ter ações em bolsa após comprar outra já listada.

A ação estreou na Bolsa brasileira em 7 de outubro, em leilão, e fechou a R$ 24,96. Na manhã desta sexta-feira (6), era negociada a R$ 7,00, uma queda de 72%.

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Tesouraria Cripto

A empresa estreou no mercado como a primeira companhia aberta 100% Bitcoin, ou tesouraria cripto, investindo na moeda digital e começando com investimento de 3.650 Bitcoin, equivalentes a US$ 400 milhões, ou R$ 2,132 bilhões. Depois, comprou mais e aumentou a posição para 3.722 Bitcoins, pelo preço médio de US$ 105 mil.

Considerando o preço médio de compra dos Bitcoins e a cotação de hoje, de US$ 71 mil, a empresa perdeu em seus investimentos US$ 126 milhões, ou R$ 660 milhões.

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Meliuz

Mas não foi só a OranjeBTC que sofreu com a queda do Bitcoin. A ação da Meliuz (CASH3), empresa de pagamentos que também passou a se dedicar à compra de Bitcoins desde maio do ano passado, caiu de R$ 4,24 em 7 de outubro para R$ 3,50 hoje pela manhã, uma perda de 17,45%.

A Meliuz tem Bitcoins comprados pelo preço médio de US$ 103 mil, o que representa uma perda de 35% no valor dos ativos. Apenas neste ano, a OranjeBTC e a Meliuz perderam 33,7% e 13,6%, respectivamente.

Perda menor

Guilherme Gomes, presidente da OranjeBTC, observa que as perdas dos investidores devem ser calculadas de outra maneira, lembrando que a empresa não fez um IPO formal, mas usou a estrutura de outra empresa que já estava no mercado. “Já tínhamos levantado o capital antes, 98% da base acionária pagou R$ 15,00 por ação antes de ela estar na B3 e, quando houve o lançamento, houve um leilão e a ação subiu e fechou mais alta”, lembra. Portanto, levando em conta esse valor de R$ 15,00, a perda seria de 53%.

Mesmo assim, Gomes diz estar tranquilo pois a maioria dos investidores da empresa conhece o mercado de Bitcoin e está preparado para grandes oscilações. “A queda foi mais rápida do que o esperado, mas estou acostumado com essas oscilações e os investidores também”, explica.

Segundo ele, o volume negociado da ação da OranjeBTC não era muito grande, em torno de 60 mil ações por dia, mas hoje disparou e caminha para quase 3 milhões de ações.  

Segundo Gomes, desde janeiro deste ano, o valor das ações da companhia está abaixo do valor dos ativos da tesouraria da empresa, o que significa que a OranjeBTC está sendo negociada com deságio. Por isso, a gestão da empresa está recomprando seus papéis.

Gomes estima que esse desconto, que chegou a impressionantes 30%, agora está em torno de 9%. Isso é efeito também da baixa liquidez do papel, o que faz negócios um pouco maiores distorcerem as cotações.

O executivo também reforça que essa queda do valor dos Bitcoin em poder da empresa não representa uma perda realizada, pois eles não foram vendidos. E ele espera que o mercado volte a se recuperar. “Há uma volatilidade importante nos mercados, não só no Bitcoin, desde outubro, vimos isso com o ouro disparando e depois caindo, a prata perdeu 30%, então há um movimento macro que impacta não só o Bitcoin”, diz.

Houve ainda um movimento de cobertura de posições alavancadas que obrigaram grandes participantes do mercado a vender Bitcoins, o que acentuou a queda da moeda digital.

Projeto de longo prazo

O presidente da OranjeBTC reforça que o projeto é de longo prazo. “Pegamos um mercado desafiador, começamos quando o Bitcoin estava próximo das máximas histórias, de US$ 126 mil, mas estamos construindo uma empresa para inovar no mercado de Bitcoin no Brasil para os próximos dez anos, promovendo educação e criando soluções e produtos com a criptomoeda”, disse.

Ele lembrou ainda que a empresa tem pouco endividamento, de cerca de US$ 20 milhões, com prazo longo, de cinco anos, o que lhe dá muito espaço de manobra. “A empresa muito capitalizada e até consegue comprar mais Bitcoin, como vínhamos fazendo desse outubro”, diz.

Para Gomes, esse movimento atual faz parte da volatilidade natural do Bitcoin. “Foi movimento brusco, muito recente, já voltou a subir forte hoje, mas no mercado ainda está buscando uma base para voltar a se estabilizar”, diz.

Para ele, o investidor de longo prazo pode ter uma oportunidade hoje depois das quedas para uma diversificação. “A complexidade global se exacerbou, temos os gastos dos Estados Unidos aumentando com orçamento bélico e sem corte de despesas, tensão com a Rússia, China, Europa por conta da Groenlândia, e o Bitcoin foi desenhado para isso, para ser uma reserva de valor, totalmente independente de um governo ou terceira parte”, diz.

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